Vivienne se pergunta quem poderia ser o visitante, um arrepio de apreensão percorrendo seu corpo. A ideia de que possa ser seu pai faz seu estômago revirar, será que uma única ligação teria sido suficiente para trazê-lo até ali? Ela se obriga a focar nas frigideiras à sua frente, como se o ato de cozinhar pudesse servir de escudo contra a tempestade de inseguranças que ameaça dominá-la.
— Pede para voltar em outro dia, amiga. — Vivienne responde, elevando propositalmente o tom, enquanto tenta controlar o tremor em suas mãos.
— Bem, o senhor a ouviu, quer deixar recado? — Joana questiona, com uma polidez obviamente forçada, sua postura protetora evidente.
— Há pouco espaço no meu calendário para isso. — O homem responde num tom que carrega décadas de autoridade inquestionável, sua entrada abrupta quase derruba Joana.
— O que o senhor está fazendo? — Questiona, indignada, fechando a porta apenas para ser completamente ignorada, como se sua presença fosse irrelevante.
— Senhorita Bettendorf? — O homem chama, seguindo instantaneamente o som metálico de algo caindo.
Ao entrar na cozinha, seu olhar indiferente percorre o ambiente até se fixar na cena caótica junto ao fogão, a mulher agachada, tentando limpar desesperadamente os legumes espalhados pelo chão com papel toalha. Cada movimento dela trai o nervosismo crescente, que parece se intensificar a cada segundo sob o olhar atento dele.
— Vivi, me desculpa, não consegui impedir a entrada dele. — Joana se desculpa, juntando-se à amiga no chão, sua indignação evidente.
— Tudo bem. — Vivienne sussurra, erguendo o olhar para o homem desconhecido que carrega traços perturbadoramente familiares. — Quem é você? — Pergunta, levantando-se e enfrentando o julgamento evidente em seu olhar.
— Grant Muller. — Responde, seu olhar, analisando-a com uma frieza que faria um iceberg parecer acolhedor. — Apertaria sua mão, se não estivesse, bem… — Deixa a frase perecer num gesto de desdém.
— Oh, não se preocupe com formalidades, senhor Muller. Reservo meus cumprimentos para pessoas educadas. — Vivienne rebate, com um sorriso docemente sarcástico, dirigindo-se à pia com uma dignidade forçada. — E o senhor é o que exatamente dos adoráveis gêmeos? Deixe-me adivinhar, é o responsável por essa genética extraordinária que eles carregam? — Pergunta, seu deboche afiado, enquanto seca as mãos e sustenta o olhar dele com um desafio deliberado.
— Avô. — Responde secamente, notando a fumaça que escapa da frigideira. — Resolva isso antes que incendeie o apartamento. — Ordena, com aquela autoridade característica que parece genética na família Muller.



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