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A Escolha Certa com o CEO Errado romance Capítulo 126

A voz robótica e metálica, fria e desumana, ecoa pelo aparelho, distorcida por um modulador. Cada palavra rasga o silêncio, fazendo o coração de Vivienne bater violentamente em seu peito. Seus dedos apertam o celular com força, mas não conseguem conter o tremor incessante. Ela fecha os olhos por um instante, buscando recuperar desesperadamente o controle, enquanto a apreensão rasteja por sua espinha, gritando em sua mente que encerre aquela ligação.

— Mãe? — Vivienne arrisca, em um sussurro rouco, sua voz carregando anos de emoções conflitantes, medo, raiva e uma ponta de descrença que ainda ousa existir.

— Seja inteligente, Vivienne. — A voz adverte, meticulosamente controlada. — Algumas verdades devem permanecer enterradas. — As palavras soam como uma ameaça velada, ecoando no silêncio do apartamento.

— Sei que é você, Florence. — Afirma, com uma coragem que nem sabia possuir, pronunciando deliberadamente o nome da mãe.

Do outro lado, um suspiro pesado ecoa pela linha, carregado de desdém e desconforto. Era a reação exata de uma mulher que sempre exigiu reverência absoluta. Florence nunca permitiu tamanha intimidade. Desde cedo, Vivienne foi instruída a jamais se referir aos mais velhos pelo nome, muito menos aos próprios pais.

— Fique ciente, senhora Devereaux, que essa morta emergiu do fundo do lago para recuperar sua vida. — Declara, a voz firme, quase cortante, encerrando a chamada com um toque decidido, deixando o eco de suas palavras pairar no ar como uma promessa inevitável.

Com a raiva latente, Vivienne arremessa o celular na mesa de centro, o som seco reverberando pelo ambiente. Sua mente tenta, em vão, juntar as peças de como uma simples recusa pôde se transformar em um esquema tão frio e elaborado quanto sua falsa morte.

O aparelho vibra novamente, o número privado piscando na tela como uma afronta. Ela rejeita a ligação uma, duas, três vezes, a frustração crescendo a cada toque insistente. Por fim, tomada pelo esgotamento, desliga o celular completamente, encerrando a vibração que parecia provocá-la com sua insistência.

— Desista, mamãe, não vou aceitar menos que minha vida de volta. — Murmura, acomodando-se no sofá, enquanto reflete sobre todos os acontecimentos da sua vida. Desta vez, não haverá aceitação silenciosa, nem submissão, nem medo, absolutamente nada que a impeça de assumir sua verdadeira identidade. Não que tenha orgulho de seus sobrenomes, na verdade, agora sente apenas vergonha deles, mas toda sua vida foi construída sobre essa base. O sobrenome Bettendorf a limita em aspectos que não mais aceita. — Ouso dizer que eles nunca me machucaram. — Lamenta, as palavras carregadas de amargura. Sua mente a transporta de volta aos quinze anos, o ponto de partida de todos os seus problemas. — Como é triste ser tão carente de afeto. — Sussurra, a voz carregada de melancolia. Instintivamente, suas mãos repousam sobre a barriga, onde carrega seus pequenos milagres, os mesmos que lhe deram a força que ela desconhecia, mas que agora a guia em busca de uma vida melhor.

Por anos, Vivienne sobreviveu de migalhas de afeto. Com amargura, relembra cada detalhe, como seu coração disparava ao receber uma ligação que a mandava de volta para casa, como os gestos mínimos de seus pais, quase inexistentes, pareciam um banquete para sua alma faminta. Um sorriso triste curva seus lábios ao comparar-se a um animal de rua maltratado que, mesmo após toda a negligência, toda rejeição, ainda abana o rabo em agradecimento por qualquer migalha de atenção.

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