No corredor perpendicular que se conectava ao principal, Grant surge abruptamente, sua expressão se transformando em puro desprezo ao avistar Dominic de mãos dadas com Vivienne. O olhar dele percorre a cena, carregado de julgamento. Não era apenas raiva, era a rejeição à ideia de uma mulher que ele considerava indigna, sem nome ou classe, estar tão próxima de sua família.
Dominic percebe a tensão emanando do corpo de Vivienne, uma resposta imediata e inevitável à hostilidade que o avô fazia questão de demonstrar. Sem dizer uma palavra, ele desliza o polegar suavemente sobre a mão dela, num gesto silencioso e reconfortante, como se quisesse lembrá-la de que estava ali, ao seu lado.
— Meu neto querido. — Grant declara, sua voz carregada de uma cordialidade forçada, enquanto um sorriso cínico se forma em seus lábios.
— Para o senhor, estou morto. — Dominic responde, sem hesitar, a firmeza em sua voz cortando o ar, enquanto ele começa a caminhar, decidido a não prolongar o momento. Porém, ao passar por Grant, sente a mão dele agarrar seu braço com firmeza. — Solte-me. — Adverte, a voz baixa e carregada de tensão, enquanto luta para conter a raiva que ameaça transbordar. Ele vira o rosto lentamente para o avô, e o olhar que lança é duro, ameaçador, carregado de uma intensidade que faz Grant hesitar por um breve instante. — Tire as suas mãos de mim. — Ordena, cada palavra marcada por uma firmeza que não deixava espaço para discussão.
— Precisamos conversar, garoto. — Afirma, sua voz mais baixa, mas ainda impregnada de autoridade, enquanto solta o braço de Dominic, tentando evitar que a tensão explodisse em uma cena pública. — Precisamos tratar dos negócios…
— Marque um horário. — Corta, a voz carregada de desprezo, retomando o passo sem sequer olhar para trás. Sua postura é rígida, a mão entrelaçada à de Vivienne, enquanto a conduz pelo corredor, determinado a afastá-la daquele ambiente o mais rápido possível. — Você está bem? — Pergunta, o tom suave contrastando com a dureza de segundos atrás. Seus olhos procuram os dela, e mesmo com o leve aceno de confirmação, ele percebe o tremor sutil em seus dedos e o peso em sua postura.
Vivienne solta a mão dele abruptamente, correndo em direção à lixeira mais próxima. Ela se inclina, o estômago revirando, enquanto a presença de Grant traz à tona lembranças daquela caixa horrorosa que ele enviou a ela. Dominic a segue sem hesitar, chegando a tempo de segurar delicadamente seus cabelos, reunindo-os em sua mão para afastá-los do rosto dela, enquanto o som abafado de náusea preenche o corredor.
Sem desviar os olhos dela, Dominic estende a mão para uma enfermeira próxima. A mulher entende o gesto e, sem questionar, entrega a ele papel toalha. Quando Vivienne finalmente parece se acalmar, ele se ajoelha ao lado dela, oferecendo os papéis. Ela os pega sem erguer o olhar, ainda inclinada sobre a lixeira, limpando a boca com movimentos rápidos e envergonhados.
— Dom? — Sussurra, sua voz tão baixa que quase se perde. Quando finalmente ergue os olhos para encontrar os dele, há algo vulnerável e hesitante em sua expressão. — Meu cabelo, ele é feio?

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