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A babá sequestrada pelo alfa romance Capítulo 62

— PARA! — o grito de Liana ecoou pelo quarto, desesperado..

Mas Dante não ouviu, ou talvez tivesse ouvido e simplesmente não fosse mais capaz de obedecer.

O alfa avançou sobre Anton com um rosnado tão profundo que parecia vir do fundo da terra, os olhos completamente vermelhos agora, o corpo maior, mais largo, os músculos tensionados à beira da transformação completa. As garras surgiram, longas, curvas, afiadas, refletindo a luz branca do quarto como facas vivas.

— Fica longe dela! — Dante rugiu, acertando o primeiro golpe com força brutal. — Seu desgraçado de merda!

Anton mal teve tempo de se recompor antes de sentir o impacto no peito, o corpo sendo arremessado contra a parede, o ar fugindo dos pulmões num som seco. O lobo ruivo também estava semi-transformado, os caninos à mostra, a pele rasgando levemente onde os músculos cresciam demais para a forma humana suportar. Mesmo machucado, mesmo debilitado pelos ferimentos de antes, reagiu por instinto.

— Você enlouqueceu! — Anton rosnou de volta, devolvendo o golpe com um soco pesado que acertou o maxilar do irmão, fazendo Dante cambalear um passo para o lado. — E a merda dos seus batedores são uns inúteis que não conseguem pegar o rastro de um bicho daquele tamanho!

Os dois colidiram outra vez, corpos grandes demais para o espaço apertado do quarto, quebrando uma cadeira, fazendo o carrinho de metal com instrumentos médicos tombar com estrondo no chão. O som de metal contra pedra foi engolido pelos rosnados, pelos gritos, pela fúria antiga que finalmente explodia sem freio algum.

Liana tentava se mover, tentava se fazer ouvir, mas parecia invisível. O coração batia tão forte que doía, o medo gelando o sangue nas veias ao ver dois monstros, porque era isso que pareciam naquele momento, se destruindo diante dela.

— DANTE, CHEGA! — gritou de novo, a voz falhando, a garganta queimando.

Anton acertou outro golpe, desta vez no abdômen, arrancando um grunhido furioso do alfa negro. Dante respondeu com ainda mais violência, agarrando o irmão pelo pescoço e o jogando no chão com força suficiente para fazer rachaduras surgirem na pedra sob o impacto.

— Vou acabar com você hoje — Dante rosnou, a voz já não soando completamente humana. — Vou te matar antes que encoste nela de novo!

Anton cuspiu sangue, os olhos âmbar brilhando de ódio e algo mais… frustração amarga.

— Faz isso — provocou, mesmo arfando. — Prova que você sempre foi assim. Sempre achou que tudo e todos te pertencem!

O alfa ergueu a mão, as garras tremendo de excitação e ódio, pronto para o golpe final. O lobo dentro dele urrava, exigindo sangue, exigindo que aquela ameaça fosse eliminada de uma vez por todas. O mundo tinha se reduzido àquele ponto exato: acabar com Anton.

E foi quando tudo deu errado.

Liana se jogou à frente.

Não pensou. Não calculou. Não hesitou.

O corpo se moveu sozinho, guiado por puro instinto e desespero, entrando no espaço entre os dois irmãos no exato segundo em que Dante avançava com as garras estendidas, mirando a garganta de Anton.

— NÃO! — gritou, sentindo o ar escapar dos pulmões.

Dante estava cego.

Cego de ódio, de medo, de lembranças que sangravam por dentro. Não a viu. Não percebeu. O golpe veio com toda a força acumulada, rasgando o ar… e atingindo carne.

A dor explodiu.

Liana sentiu como se fogo tivesse atravessado o braço, o impacto a jogando para trás enquanto um grito rasgava sua garganta, cru, primal, aterrorizante. A roupa se rasgou sob as garras, a pele abrindo em cortes profundos, o sangue escorrendo quente, rápido demais.

— AAAH! — o som saiu alto, desesperado, ecoando pelo quarto.

Dante congelou.

O mundo pareceu parar.

Os olhos vermelhos desceram lentamente, registrando o que tinha feito, registrando o corpo da mulher que amava sendo jogado ao chão, o braço ferido, o sangue manchando o piso claro.

— Liana… — a voz saiu rouca, quebrada, quase irreconhecível.

Anton foi o primeiro a reagir, avançou num impulso feroz, agarrando Liana antes que o corpo dela batesse com força total no chão, puxando-a para junto do peito. O toque era cuidadoso demais para alguém que segundos antes lutava para matar.

— Merda… Você está perdendo muito sangue — rosnou, pressionando a mão contra o braço dela para tentar conter o sangramento. — Fica comigo, olha pra mim, preciso que fique acordada, não pode dormir agora.

Liana tremia inteira, o rosto pálido, os dentes batendo enquanto tentava respirar direito. A dor era lancinante, mas o choque parecia maior, a mente lutando para acompanhar o que tinha acabado de acontecer.

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