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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 47

Quando cheguei em casa, estava escurecendo. Tinha passado o dia inteiro no escritório tentando conter a crise da Lotus, falando com advogados, investigadores e o conselho.

Eu não queria ser negativo, mas era difícil ver uma solução pro meu caso. O incêndio só tinha intensificado o meu sentimento de fracasso, mas ultimamente todos os meus esforços pareciam inúteis.

A empresa estava afundando. E agora eu tinha que pedir pra Isabela se expor publicamente pra me salvar.

Abri a porta e o cheiro de comida caseira me surpreendeu.

Franzi a testa.

Inês nunca cozinhava porque eu não deixava. Ela já fazia o suficiente por nós. Tínhamos um chef particular que vinha três vezes por semana e deixava marmitas prontas.

Segui o cheiro até a cozinha e parei na porta.

Isabela estava lá.

Ela usava um avental de gatinhos e flores sobre uma blusa pink de arder os olhos. Os cabelos estavam presos num coque bagunçado, alguns fios soltos caindo sobre o rosto. Os óculos tinham escorregado até a ponta do nariz.

Thales estava sentado no balcão, balançando as pernas, sorrindo enquanto assistia.

— Agora você mexe devagar... — Isabela explicava, segurando uma colher de pau. — Se mexer rápido demais, vai desandar.

— Posso tentar?

— Claro, vem cá.

Ela passou a colher para Thales, que começou a mexer com a língua de fora, concentrado.

Fiquei ali parado, sem saber se deveria entrar. Como se a minha presença pudesse estragar o momento.

Meu coração começou a bater mais acelerado quando me dei conta de que somente comigo, meu filho jamais teria momentos assim. Eu nunca tive momentos assim enquanto crescia.

Foi quando Thales me viu.

— Pai!

Isabela se virou rápido e bateu o cotovelo no canto do fogão. Soltou um gritinho, a mão indo automaticamente para onde tinha sofrido a pancada.

— Tudo bem? — Dei um passo à frente.

— Tudo sim. — Ela esfregou o cotovelo, as bochechas corando. — Não foi nada, já passou.

Eu não sabia o que dizer a seguir, e Isabela também não, porque ficamos em silêncio por vários segundos.

Thales foi o primeiro a falar.

— A Bela tá fazendo estrogonofe. — Ele disse, ansioso. — E batata palha caseira.

— É. — Isabela ajeitou os óculos. — Achei que... sei lá. Pensei em fazer algo diferente hoje.

Olhei para a bagunça na cozinha. Panelas por todo lado. Tábua de corte com restos de cebola. Potes de tempero abertos.

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