Sentei na cadeira do escritório, olhando para a tela do computador, aquela figura encapuzada saindo correndo do laboratório.
Quem fez aquilo? Quem queria acabar com a minha vida desse jeito?
Meu celular vibrou e revirei os olhos pra cima quando vi que era o Márcio. Claro, quem mais seria?
"Cara, vc viu as notícias?"
Com o coração batendo rápido, digitei no navegador "Lotus Perfumaria".
"INCÊNDIO NA LOTUS: SABOTAGEM OU NEGLIGÊNCIA?"
"CEO INCOMPETENTE PERDE MILHÕES EM INCÊNDIO SUSPEITO"
"ACIONISTAS QUEREM CABEÇA DE VINÍCIUS RODRIGUES"
Eu esperava o pior e foi bem pior do que eu esperava.
E como sempre dá pra piorar, Márcio abriu a porta e entrou.
— Pela sua cara já viu as notícias. — Ele entrou, se jogando no sofá da presidência.
— Sim, eu vi.
— Seu pai vai te matar de verdade agora.
Passei a mão pelo rosto, sentindo o cansaço bater de vez. Tinha passado a noite em claro, revirando de um lado pro outro na cama.
Lembrar que Isabela estava a poucos metros de mim, não ajudou em nada.
— A reunião foi um inferno. Ele quase conseguiu me tirar da presidência.
— Quase. Ainda temos chance de virar o jogo.
— Duvido. — Corrigi. — Desde que comecei na Lotus, eu só me ferrei, mas agora eu tô de parabéns. Não vejo saída pra essa merda.
Márcio se jogou na poltrona em frente à minha mesa, cruzando os braços atrás da cabeça.
— Por isso vim aqui. Tenho uma ideia.
— Se for outro dos seus planos…
— Escuta. — Ele se inclinou para frente, os olhos brilhando. — O incêndio é ruim, certo? Péssimo pra sua imagem.
— Descobriu isso sozinho? Mues parabéns.
— Mas... — Márcio ergueu um dedo — existe uma forma de virar o jogo.
Suspirei, cansado demais pra lutar contra.
— Que forma?
— Mudança de narrativa, irmão. — Ele bateu na mesa. — As pessoas estão falando mal de você agora. Dizendo que é incompetente, irresponsável, tudo de ruim. Mas e se a gente mudasse a narrativa?
— E você fala como se isso fosse a coisa mais simples do mundo, né? Vou fazer isso como?
Márcio sorriu, e eu quis chorar, porque ultimamente toda vez que ele ficava feliz era às custas da minha sanidade.
— E é simples. Você tem a arma perfeita morando na sua casa.
— Márcio… — respondi fechando os olhos e respirando fundo.
— Não! Me escuta. — Ele se levantou, começando a andar pela sala. — Você tem a faca e o queijo na mão e nem percebe.
— Do que você tá falando?
— Da sua história de horror! Digo, de amor! — Ele parou na minha frente. — Pensa comigo. O CEO da Lotus, bonitão, rico, poderoso... noivo de quem?
Não respondi, era demais pra mim.

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