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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 48

Eu estava prestes a vomitar.

Não era exagero. Meu estômago revirava de verdade enquanto eu me olhava no espelho do quarto.

O vestido era horrível.

A personal shopper tinha trazido várias opções "apropriadas" — todas em tons pastéis e neutros. Mas quando vi aquele vestido rosa pink com detalhes em dourado e uma saia rodada cheia de babados, algo dentro de mim se rebelou.

Se iam me colocar em exposição, que fosse do meu jeito.

O problema é que agora, olhando no espelho, eu percebia o erro.

O rosa era berrante demais. Os babados exagerados. Os detalhes dourados que fora do meu corpo pareciam tão chiques, em mim pareciam bijuteria barata. E o corte... o corte simplesmente não funcionava no meu corpo.

Fiz de propósito.

Queria culpar o vestido quando as pessoas rissem de mim... por tudo que pudesse dar errado.

Queria que Vinícius se arrependesse de ter me colocado nessa situação. Queria que ele visse o ridículo que era me exibir como noiva dele.

“Parabéns, Bela. Você conseguiu ficar ainda mais feia.”

— Você tem certeza desse vestido? — Inês perguntou, hesitante, da porta.

— Não. — Ajeitei os óculos. — Mas já é tarde.

Desci as escadas com as pernas bambas e o rosto queimando. O lugar era imenso, todo de vidro e mármore. Gente bonita e bem vestida que não acabava mais.

Nunca me senti tão deslocada.

Quando pisei no salão, fiquei tentando entender onde ficavam os banheiros. Talvez fosse boa ideia me esconder em um deles pelos próximos seis meses.

Foi quando ouvi uma voz familiar chamar minha voz.

— Bela!

Juliano vinha na minha direção, usando um terno azul marinho que ficava meio largo nele. O cabelo estava penteado pro lado, diferente do jeito bagunçado de sempre.

Ele parou na minha frente e estava nitidamente sem palavras.

— Fala, Juliano. — murmurei, ajeitando os óculos.

— É que... — Juliano coçou a nuca. — O vestido é bem... rosa.

— Eu sei, Juliano.

Ele deu aquele sorrisinho sem graça dele, o mesmo que fazia quando não sabia o que dizer.

— Você tá linda.

— Não precisa mentir.

— Tá bem. Você tá... — Juliano parou tentando encontrar palavras pra descrever — Digamos que não tem como não reparar em você.

Soltei uma risada sincera.

Juliano me ofereceu o braço.

— Vem. Vamos encontrar o bar antes que...

— Isabela.

Ele estava parado a alguns metros, de terno preto impecável. Cabelo arrumado. Perfume amadeirado chegando até mim mesmo daquela distância.

Os olhos dele percorreram meu corpo de cima a baixo.

Esperei por alguma reação. Qualquer coisa.

Mas o rosto dele permaneceu neutro. Impassível.

“Claro que sim. O que você esperava? Um elogio?”

Vinícius se aproximou, e senti Juliano ficar tenso ao meu lado.

— Oi — consegui dizer, a voz saindo mais baixa que eu queria.

Ele não respondeu. Não estava olhando pra mim. Estava olhando pra Juliano.

O silêncio ficou pesado.

Juliano soltou meu braço, dando um passo pra trás. Ele tinha entendido o recado.

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