Eu sei que qualquer pai que se preze não teria feito o que fiz, oferecer a vaga de babá para uma completa desconhecida, mas eu estava desesperado.
Nenhuma das onze babás que contratei conseguiu ficar por mais de uma semana.
Claro que, de início, ela achou a proposta bem esquisita, quem não acharia? Tinha ido atrás da vaga de designer e acabou saindo de lá como babá de um menino de dez anos.
Não tenho certeza do momento exato em que a convenci, mas suspeito que tenha sido quando ofereci o triplo do salário de designer.
Uma proposta que poucas recusariam.
Vou ser sincero, de todas as babás que eu poderia arrumar, esta era a que eu menos botava fé.
Parecia medrosa, fraca e, bom, era feia. Diferente das outras feias que já vi na vida — e não foram muitas, admito. Nasci rodeado de mulheres bonitas, sempre gostei da companhia de modelos, então foi um choque me deparar com Isabela.
A mesma que agora estava sentada no banco do passageiro do meu BMW, a caminho da minha casa. Nervosa, era fácil notar. Brincava com o chaveiro pendurado na ecobag, as pernas subindo e descendo num gesto ansioso.
— Já estamos chegando — quebrei o gelo.
Ela não respondeu, apenas sorriu sem jeito. Pelo menos tinha dentes bonitos. Alguma coisa precisava ser bonita naquela mulher.
Aquele chaveiro é do Labubu?
— Posso te perguntar uma coisa, doutor?
— Claro — respondi.
— Por que eu? O senhor não tem medo de confiar o seu filho a mim? Não me leve a mal, mas é que não me conhece e…
— Sei que pode parecer estranho, mas quando conhecer o Thales vai entender por que não tenho medo de que faça mal a ele.
— Perdão, acho que não estou entendendo.
— Quem precisa ter medo é você.
Os olhos dela se arregalaram. Melhor tentar amenizar ou teria a demissão mais rápida da minha vida.
— Olha, sei que parece desafiador, e não vou mentir, realmente é. Thales é um menino difícil, perdeu a mãe recentemente e nós não somos próximos.
Não sabia por que estava falando aquilo, talvez fosse o cansaço ou os olhos gentis por trás do medo. De qualquer forma, já tínhamos chegado.
A levei até a sala e a apresentei a meu filho.
Antes de sair, a chamei num canto.
— Qualquer coisa que precisar, fale com a Inês.
— Inês?
— Sim, nossa governanta.
Notei a surpresa no rosto dela. Talvez governantas não fossem algo comum pra ela.
— Está na nossa família há muitos anos, desde que eu era criança. É de extrema confiança, praticamente a dona da casa. E se precisar de algo fora da alçada dela, me ligue.
— Obrigada, doutor Vinícius.
— Mas evite me ligar. Odeio ser interrompido quando estou trabalhando.
— Pode deixar, não vou incomodá-lo sem motivo.
— Se realmente precisar de mim, estarei no meu escritório, é o primeiro quarto depois do corredor — apontei para a direita. — Tenho uma videochamada que não pode esperar.

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