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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 43

Alguém tinha feito isso de propósito.

Alguém tinha colocado fogo no laboratório. Tinha destruído meses de trabalho. Tinha tentado acabar com a empresa.

Comigo.

— Senhor? — O bombeiro me olhava, esperando alguma reação.

— Encontraram algo nas câmeras de segurança? — perguntei, enquanto tentava organizar meus pensamentos.

— Já solicitamos as imagens pro responsável pela segurança. A polícia vai querer falar com o senhor também.

Passei a mão pelo rosto, sentindo o cansaço bater de vez.

Isabela estava parada a alguns metros, os braços cruzados, olhando pra lata tão assustada quanto eu.

Respondi as últimas perguntas dos policiais e quando finalmente fui liberado, chamei Isabela pra ir embora.

Caminhamos até o carro em silêncio. Podia sentir os olhares da minha família nas nossas costas. Karina, minha mãe, Valéria. Todas nos julgando. Todas tirando conclusões.

Que tirem.

Abri a porta do carro pra Isabela. Ela entrou sem falar nada e eu também não sabia mais o que dizer.

Quando fechei a porta do carro, precisei de alguns instantes pra me estabilizar.

Que noite de merda.

Fiquei ali, parado, as mãos no volante, sem conseguir sair do lugar.

— Doutor Vinícius...

— Alguém colocou fogo de propósito no laboratório — falei, mais pra mim mesmo que pra ela. — Eu já sabia que queriam me ferrar, mas isso foi demais…

— Quem faria isso?

Soltei uma risada sem graça.

— Você viu a quantidade de gente que me odeia ali atrás? E você conheceu só os mais próximos… tem o restante dos acionistas, mais os funcionários que agora acabei de concluir que só querem me derrubar. Pode ter sido qualquer um.

Isabela ficou quieta.

Acelerei, saindo do estacionamento. As luzes vermelhas e azuis das viaturas ficaram pra trás, mas a sensação de fracasso não iria embora tão cedo.

Dirigi no automático, pegando o caminho pro apartamento dela. As ruas estavam vazias.

— Desculpa... — Isabela começou, hesitante. — Acho que ter vindo com você só piorou tudo. Eles não gostaram muito de me ver ali.

— Fica tranquila, eles nunca gostam de nada. — respondi com uma risada amarga.

— A Karina…

— Quero que a Karina se foda!

Ouvi Isabela engolir em seco.

Merda.

Eu estava sendo grosso de novo.

— Desculpa… Essa noite toda foi uma porcaria. E eu não devia ter te levado pra Lotus… não porque me atrapalhou, mas porque não precisava passar por isso.

— Eu não me arrependo de ter ido.

Eu senti meu coração acelerar. Um sentimento estranho, que não sabia explicar.

Ela ficou quieta de novo e quando parei no sinal vermelho, me permiti olhar pra ela. Isabela estava encolhida no banco, os braços ainda cruzados, olhando pela janela. A blusa laranja com girassóis toda amassada. O cabelo mais bagunçado que o normal. Os óculos tortos.

Ela parecia pequena. Frágil. Assustada.

Fora do lugar.

E era minha culpa. Eu tinha arrastado ela pra dentro desse caos. Tinha oferecido um contrato ridículo, tinha pedido a mão em casamento pro pai dela, tinha feito ela mentir.

Eu tive vontade de cuidar dela… ela tremia tanto.

— Você pode desistir — falei, sem pensar direito. — Do acordo, se quiser.

Isabela virou a cabeça pra mim, surpresa.

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