Vinícius dirigia como se estivesse tentando chegar o mais rápido possível não só na Lotus, mas numa outra dimensão. Ele acelerava feito um maluco, ignorando todos os sinais vermelhos e fazendo as curvas bruscas.
As mãos dele apertavam o volante com tanta força que fiquei esperando o couro ceder e o volante se partir ao meio.
O silêncio e a tensão dentro do carro era sufocante. Eu entendia que um incêndio na Lotus não podia ser boa coisa, mas também tinha a impressão que toda aquela raiva era direcionada pra mim.
Eu só podia estar maluca, eu não era tão importante assim. Tentei me mexer o mínimo possível, como se qualquer movimento fosse detonar uma bomba.
— E o Thales? — arrisquei, baixinho. — A Inês não tinha que ir embora?
— Já mandei mensagem pra ela — a voz dele saiu fria. — Vai dormir lá.
— Olha, eu não sei exatamente o que aconteceu, mas nada é tão ruim quanto parece. — falei, tentando soar confiante. — Vocês vão conseguir resolver isso e...
— Você pode calar a boca um pouco?
A frase veio tão ríspida que senti como se fosse um soco no estômago.
Por que eu ainda tentava?
Fechei a boca na hora, tremendo. Vinícius nem olhou pra mim. Continuou com os olhos fixos na estrada, a mandíbula travada.
Algo estava errado mesmo.
Não era só o incêndio, agora eu tinha certeza. Tinha alguma coisa pessoal ali.
Alguma coisa comigo.

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