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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 40

Saí do carro porque ficar ali sozinha, assistindo aquele caos pela janela, era pior.

As luzes vermelhas e azuis das viaturas piscavam sem parar, fazendo minha cabeça latejar. O cheiro de fumaça invadia minhas narinas.

Caminhei até onde Vinícius estava, cercado por bombeiros. Ele gesticulava, a voz saindo alta, desesperada.

— Preciso entrar! São anos de trabalho ali dentro!

— Senhor, o prédio ainda não está seguro — um bombeiro de bigode grisalho respondeu, firme. — Não posso deixar ninguém entrar.

— Você não entende, eu sou o CEO dessa empresa! Aquele laboratório…

— Entendo perfeitamente, senhor. Mas minha ordem é clara. Ninguém entra.

Vinícius passou a mão pelo cabelo, desalinhando tudo. E só agora reparei que a camisa estava amassada, manchada de molho de ketchup.

Algumas horas comigo e ele já estava se contaminando com a minha imperfeição.

Fiquei parada a alguns metros, sem saber se deveria me aproximar ou continuar invisível.

— Vinícius!

Uma mulher muito bonita corria na nossa direção.

Ela estava impecável mesmo no meio daquele desastre. Cabelos presos num coque perfeito, roupa social sem um vinco fora do lugar. Como alguém conseguia estar tão arrumada no meio de um incêndio?

Vinícius se virou e ela se jogou nos braços dele. Os dois se abraçaram de um jeito íntimo demais e isso me causou um incômodo ridículo.

— Graças a Deus você chegou — a mulher falou, a voz embargada. — Eu não sabia o que fazer, eu…

— Calma, Marina. — Vinícius segurou ela pelos ombros. — Me conta o que aconteceu.

— Eu estava fazendo testes no laboratório. Sozinha. — Ela limpou os olhos com as costas da mão. — Já era tarde, todo mundo tinha ido embora, mas eu queria adiantar a nova fórmula… Fui ao banheiro por cinco minutos. Quando voltei, tinha fogo em todo lugar.

— O sistema anti incêndio não funcionou?

— Funcionou, mas não foi suficiente. O fogo se espalhou rápido demais.

Vinícius soltou ela e começou a andar de um lado pro outro, as mãos na cabeça.

— As amostras…

— Perdemos tudo — Marina sussurrou. — A linha inteira. Seis meses de trabalho.

Foi quando ouvi uma voz que fez meu sangue gelar.

— Que tragédia.

Uma senhora elegante surgiu do nada, usando um casaco de lã bege que provavelmente custava mais que meu rim.

— Valéria — Vinícius se virou pra ela, surpreso. — O que você tá fazendo aqui?

— Sua mãe me ligou. — Ela olhou pro prédio. — Achei que deveria vir. Afinal, sou acionista.

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