— Seu Ernesto tem razão — Juliano disse. — Vocês podiam ser mais... carinhosos. Não precisa ter vergonha não.
Esse filho da puta estava fazendo de propósito.
Levantei da cadeira num movimento brusco.
Todos me olharam.
— Vem cá, Bela — falei, estendendo a mão pra ela.
Isabela me encarou, confusa. Os olhões arregalados atrás dos óculos tortos.
— O quê?
— Vem. — Minha voz saiu mais firme do que eu pretendia. — Agora.
Ela hesitou, depois se levantou devagar e veio até mim.
Quando ficou perto o suficiente, a puxei pra perto. Isabela colidiu contra meu peito com um pequeno grito de surpresa. Passei os braços ao redor dela, apertando com força.
Ia mostrar pra todo mundo — principalmente pro Juliano — que ela era minha. Minha noiva. Minha…
Me recusei a continuar essa linha de raciocínio, não conseguiria de qualquer forma, porque de repente eu estava sentindo coisas demais.
O calor do corpo dela contra o meu. A maciez inesperada. O cheiro...
Não era perfume caro. Não era aquelas fragrâncias importadas que eu estava acostumado. Era algo simples. Sabonete. Shampoo. E por baixo disso, o cheiro natural da pele dela.
Quente. Levemente adocicado.
Meu cérebro começou a entrar em curto-circuito.
Isabela estava tensa nos meus braços. Podia sentir o coração dela batendo acelerado contra meu peito. Ou era o meu? Não dava pra saber mais.
Os olhos castanhos esverdeados me encaravam, arregalados, vulneráveis. Os lábios entreabertos. As bochechas coradas.
O olhar dela desceu pros meus lábios e meu corpo reagiu.
— Tá bom, já me convenceram — Ernesto disse, a voz de quem tava começando a se incomodar com a nossa intimidade.
— Agora chega! Nada de passar dos limites antes do casamento!
— PAI! — Isabela virou pra ele, roxa de vergonha. — Pelo amor de Deus!
Juliano tossia, tentando esconder o riso.
Eu passei a mão pelo cabelo, sentindo o rosto queimar.
Que porra tinha acabado de acontecer?

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