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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 34

Quando Isabela disse "hamburgueria", eu imaginei algo padrão. Sabe, aqueles lugares com mesas de fórmica, cardápio na parede, cheiro de carne na chapa.

O que eu não imaginei foi uma cena de crime.

Parei o carro em frente ao que parecia ser um galpão abandonado. Ou uma oficina mecânica falida. Ou talvez o cenário de um filme de terror de baixo orçamento.

— É aqui? — perguntei, sem conseguir esconder a incredulidade na voz.

— É. — Isabela já estava abrindo a porta. — Vem.

Saí do carro devagar, olhando ao redor. A rua estava deserta e eu não era um especialista nesse ramo de negócios mas não parecia ser algo bom pra um estabelecimento que depende de movimento pra sobreviver. Os coitados os postes com luz fraca iluminavam meio sem vontade aquela calçada rachada com uns matinhos saindo nas bordas.

Tirando a luminária exagerada, a fachada do lugar era esquisita. No caso, nem era uma fachada. Tinha tijolos rústicos, sem reboco, sem lâmpadas pra sequer iluminar a entrada pra pessoa saber onde ela tinha que pisar ou indicar a porta. Nada ali era convidativo como um restaurante deveria ser.

Fui andando meio devagar pra não tropeçar, a última coisa que eu precisava era cair em cima da feia. Minha cota de contato com ela já tinha se esgotado.

Bela olhou pra mim indicando que aquela porta de metal enferrujada era a entrada… estava logo ao lado de uma janela coberta com papel pardo.

Isso não podia estar acontecendo.

— Meu pai gosta do estilo industrial — Isabela explicou, como se aquilo fizesse todo o sentido do mundo.

Industrial? Aquilo parecia um barracão abandonado.

Ela empurrou a porta e eu a segui, sentindo cada músculo do meu corpo tensionar.

O interior era pior. Como podia ser pior? MUITO PIOR.

A iluminação vinha de lâmpadas LED vermelhas espalhadas pelo teto. Vermelhas. VERMELHAS. Eu nunca tinha ficado tão indignado na minha vida e olha que eu estava prestes a casar com a Isabela.

Havia uns sofás de couro surrado nos cantos, pela aparência daquilo podia ter facilmente ter sido encontrado jogado na rua. As paredes continuavam com os tijolos à mostra, alguns deles rachados. No fundo, perto do que eu presumi ser a cozinha, tinha uma churrasqueira improvisada. Se aqueles realities de restaurante viessem pra salvar essa hamburgueria desistiriam nesse mesmo instante.

Pra completar a bizarrice, o lugar tava silencioso.

Não tinha ninguém ali. Nenhum cliente. Nenhum funcionário. Nada.

Só nós dois e aquela iluminação vermelha que fazia tudo parecer que uma cena de assassinato estava prestes a acontecer.

Minha mão foi instintivamente até o bolso, procurando o celular. Caso precisasse ligar pra polícia. Ou pro Márcio. Ou pra qualquer pessoa que pudesse me tirar dali.

Calma. Respira.

Era só uma hamburgueria vazia.

Olhei pros cantos, desconfiado e com um pouco de medo em descobrir o que mais esse lugar escondia.

— Pai! — Isabela chamou, a voz ecoando pelo lugar vazio. — Chegamos!

Nada desse homem aparecer.

Senti um frio na espinha.

Onde ele tava?

Foi quando uma porta rangeu no fundo. Aquele barulho de dobradiça enferrujada que você ouve em todo filme de terror antes de alguém morrer.

Meu coração disparou.

— QUEM É ESSE RAPAZ?

A voz dele era alta e grave.

Dei um pulo. Meu corpo todo se contraiu e eu dei dois passos pra trás, quase tropeçando num dos sofás velhos.

Um homem diferente do que eu tinha imaginado surgiu das sombras.

Ele era jovem. Não parecia ter chegado nem nos cinquenta anos.

Ernesto era alto, tinha ombros largos, braços musculosos e tatuados. Usava um avental sujo de gordura e segurava uma faca.

Isso mesmo. Meu futuro sogro, que não podia nem sonhar em saber que eu estava prestes a me casar com a filha dele pelos motivos errados — motivos que tirariam qualquer pai do sério — estava com uma faca na mão.

Enorme e afiada, reluzindo sob a luz vermelha.

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