Mantive meu olhar fixo na rua à minha frente, as duas mãos no volante, tentando não olhar pro lado.
Não olha. Pelo amor de Deus, não olha.
Mas mesmo não olhando não importava. O trauma estava gravado pra sempre na minha memória. Não saberia nem por onde começar… Se isso era o início desta noite, como iria terminar?
Pra começo de conversa, o apartamento dela era ainda mais cafona e caótico que a própria Bela. Nunca vi tanto pedaço de pano barato de cores gritantes na vida. Pior nem era isso. Estavam espalhados por TODO canto. O lugar era uma completa zona.
A decoração nem se diz. O que aquela mulher tinha contra cores neutras? O que tinha de errado com, sei lá, o preto, bege, cinza … quando botei o pé naquele apartamento eu pensei que tinha entrado numa máquina do tempo e tinha ido parar numa casa de alguma senhora, nos anos 80. Aquelas almofadas floridas, aquele sofá vermelho… caramba, o sofá era vermelho e xadrez!
Aí você pode pensar que tudo bem. É o estilo dela, certo?
Não!
Não tinha estilo, não tinha lógica, porque, ao lado de uma decoração que somente uma senhora dos anos 80 seria capaz de gostar, existiam pôsteres de desenhos naquele estilo japonês e pinturas de flores por toda a parede. As pinturas, único detalhe bonito daquele lugar, pareciam totalmente deslocadas ali.
Meu Deus.
Em poucos dias, aquilo tudo ia estar na minha casa. Eu não iria sobreviver a isso. Que tortura! A minha casa minimalista, onde tudo tinha o seu devido lugar.
Bela ia trazer aquele caos todo pra dentro da minha vida.
Apertei o volante com mais força.
Calma. É temporário. Seis meses e tudo voltará ao normal.
Tudo isso era uma merda, o ataque a beleza e a estética era mesmo um crime mas o pior mesmo foi a porra do zíper.
Eu tinha tocado nela. NOS SEIOS DELA.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Babá "Feia" e o CEO