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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 32

Quando abri a porta e o vi, confesso que foi difícil ignorar a beleza daquele homem.

Nem sei dizer bem o motivo, porque a roupa dele não tinha nada demais. Era mais um terno chique, dessa vez cinza. Talvez fosse o toque da camisa sem gravata por baixo, com uns 2 botões sem fechar. Ou talvez fosse o cheiro de banho tomado e de algum perfume mais casual.

Mesmo tentando não ser iludida eu não conseguia parar de pensar que Vinícius tinha se arrumado pra mim. Tinha escolhido aquelas roupas pensando que iria me ver, e passado aquele perfume diferente porque era uma ocasião diferente.

Os cabelos estavam ligeiramente mais desalinhados hoje, num penteado mais despojado. Uma mecha caía levemente sobre a testa.

Ela parou na porta e começou a me olhar de um jeito diferente. Como se estivesse me examinando. Dr. Vinícius não era de ficar me olhando muito. Acho que ele evitava ao máximo ter que encarar a feiura de perto. Eu não o culpo, imagino as pessoas bonitas e bem cuidadas que ele conviveu durante toda a vida. Ter que ficar olhando pra uma feia descabelada deve ser mesmo algo difícil pra alguém como ele.

Mas hoje algo mudou. Vinícius me encarava de cima a baixo. E, de novo, não sei dizer se estava maluca, mas ficou com o rosto um pouco corado.

Os olhos dele ficaram presos em mim. Na blusa laranja com girassóis. Na calça jeans. Nos tênis roxos.

Ele piscou várias vezes, e parecia nervoso. Tentou falar algo mas permaneceu em silêncio.

— Oi — consegui dizer, minha voz saindo mais esganiçada que o normal.

— Oi.

Ficamos ali parados por alguns instantes. Ele ainda na porta, no hall do apartamento e eu segurando a maçaneta.

Quando o silêncio já tinha durado tempo demais resolvi falar alguma coisa.

— Vai... vai entrar? — perguntei, dando um passo pra trás.

Vinícius hesitou. Os olhos percorreram o apartamento atrás de mim. Foi aí que me toquei da bagunça que estava o meu apartamento. Merda. Com a correria dos últimos dias, eu mal tinha reparado que estava vivendo quase numa zona de guerra.

Minhas roupas estavam espalhadas por toda parte, e a louça — apesar de não ser tanta coisa — estava toda por arrumar.

— Claro.

Ele entrou devagar, com cuidado como se nunca tivesse pisado numa casa de pobre antes. E provavelmente nunca tinha mesmo.

O cheiro bom do perfume dele invadiu todo o meu pequeno apartamento, e eu tive que me concentrar bastante para não fazer nada patético demais ou descontrolado, como pular no pescoço dele. A última coisa de que eu precisava era reforçar o estereótipo da feia desesperada.

Era engraçado e até um pouco fofo ver aquele CEO totalmente deslocado no meu ambiente. No meio da minha bagunça e dos meus móveis baratos.

— Desculpa a bagunça — falei, tentando soar casual enquanto recolhia algumas roupas da cadeira. — Com a correria eu nem pensei em arrumar. Acabei nem reparando.

Ele não respondeu.

Quando olhei pra trás, vi que ele continuava me olhando. A expressão corporal dele estava estranha, mais tensa do que o normal. Ele estava com o corpo duro como um robô, e a mandíbula totalmente travada.

Parecia... nervoso?

Mas por que ele estaria nervoso?

— Isabela...

— Só me deixa pegar minha bolsa e a gente pode ir — interrompi, rápida, porque o jeito que ele estava me olhando, fixamente, com aqueles olhos arregalados e o corpo tenso, somado à zona do meu apartamento, estavam sendo demais pra mim. Queria ir embora dali logo e começar a segunda etapa.

Olha que maravilha: seria o doutor Vinícius pedindo minha mão em casamento pro meu pai. Será que algo poderia ser pior que isso? Ou mais constrangedor?

Corri pro quarto, peguei a ecobag e voltei.

Ele continuava no mesmo lugar. Parado. Me olhando.

— E ai, vamos? — perguntei, ajeitando a alça no ombro.

Vinícius tentou falar de novo, mas ficava só de boca aberta, sem dizer nada. Comecei a me preocupar de verdade. Será que a minha feiura ou a minha pobreza tinham dado um piripaque nele?

Franzi a testa.

— Tá tudo bem?

— Seu... — ele limpou a garganta, os olhos descendo rapidamente pro meu peito antes de desviar. — Seu zíper tá aberto.

Olhei pra baixo e senti meu rosto pegar fogo.

A merda do zíper que fechava a blusa de girassóis estava abaixado demais, mostrando quase todo o meu sutiã. A porra do sutiã que comprei na Shein, com estampa de gatinhos.

— Desculpa. — murmurei, virando de costas pra ele e tentando puxar o zíper.

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