— Espera… eu não sei se ouvi direito. Você vai fazer o quê!?
— Isso mesmo que você ouviu, Márcio. — Passei a mão pelo rosto, sentindo o peso da própria desgraça. — Vou pedir a mão da Bela pro pai dela. Hoje à noite.
O silêncio durou alguns segundos. Depois Márcio explodiu numa gargalhada tão alta que a Roberta provavelmente ouviu lá da recepção.
— Se alguém me contasse, eu não ia acreditar. — Ele se dobrou na cadeira, segurando a barriga. — Vinícius Rodrigues, CEO da Lotus, pedindo a mão de uma feia, pro PAI dela, em casamento.
— Pois é. — Soltei o ar, derrotado.
Márcio parou de rir. Me olhou com a expressão de quem acabou de descobrir algo interessante.
— Ué. — Ele inclinou a cabeça, curioso. — Cadê aquele Vinícius que vivia mandando eu parar de chamar ela de feia? Não tô te reconhecendo…
Dei de ombros, desviando o olhar.
— Agora é diferente, irmão. Agora eu vou ter que olhar pra cara dela o tempo todo. — Passei as mãos pelo rosto. — Não vai ser fácil ser bondoso e fingir que ela não é feia pra caralho.
Márcio gargalhou de novo, jogando a cabeça pra trás.
Passei as mãos pelo cabelo, desesperado.
— O que eu vou fazer!? — A voz saiu mais angustiada do que eu pretendia. — Aos poucos a ficha tá caindo. Quer dizer que eu não vou poder ficar com mulher nenhuma nesse meio tempo? As modelos... Cara, que merda.
Márcio se levantou e veio até mim, colocando a mão no meu ombro.
— Ninguém disse que ia ser fácil. — O tom era sério agora. — Os heróis têm que abrir mão de muita coisa. Isso se chama sacrifício. E eu não vou mentir… os seus nem começaram.
Eu queria chorar.
— Mas em seis meses você vai tá livre disso. — Márcio concluiu, com um sorriso insuportável no rosto.
Ele tava amando ver eu me foder. Traidor.
— Seis meses é muita coisa. — Enterrei o rosto nas mãos. — Nunca fiquei tanto tempo sem transar.
— Não seja por isso. — O sorriso sacana voltou. — Você vai ter esposa! A Bela vai estar sempre lá, a alguns metros de distância.
Peguei o primeiro objeto que vi na mesa — um grampeador de papel — e atirei nele.
Márcio desviou, fingindo ter sido atingido.
— Ai! — Ele apertou o braço, dramático. — Que agressivo.
— Você merece.
Ele riu, voltando pra cadeira.
— Eu não sei não, hein, cara. — Márcio me olhou preocupado. — Tô achando que você vai cair na lábia da feia. A história vai se repetir.
Franzi a testa.
— Que história?
— Da Betty, a Feia, irmão. — Ele abriu os braços. — Qual mais?
Revirei os olhos.
— Tô falando sério. — Márcio se inclinou pra frente. — Não tá percebendo as semelhanças? Você vai se apaixonar pela feia...
Ele colocou a mão no peito, a voz saindo melodramática, cheia de sarcasmo.
— E nada do seu mundo fútil vai importar sem ela. Sem o amor verdadeiro de uma feia apaixonada.
Abri a boca pra xingar ele quando alguém bateu na porta. Mas bateu só de praxe porque era a

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