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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 29

Thales estava sentado na cama, os pés balançando sem tocar no chão, me olhando com aqueles olhos enormes que me faziam sentir a pior pessoa do mundo. Eu tinha pensado nas mil formas de contar isso a ele.

Tinha dormido super mal imaginando que o menino iria ficar revoltado. E quando finalmente tinha decidido como começar a conversa, fiquei repetindo um diálogo imaginário na minha cabeça.

Bom, não só na minha cabeça, eu tinha chamado o Juliano pra me ajudar… não sei se tinha sido uma boa ideia porque Juliano é um péssimo ator de improvisação mas não podia mais adiar. Essa conversa tinha que acontecer.

Não iria ser nada fácil, minha consciência tinha começado a pesar… porque agora, com ele ali na minha frente, todo pequenininho e vulnerável, eu só conseguia pensar: que tipo de adulto mente pra uma criança de dez anos?

Pelo jeito um CEO desesperado e uma babá feia falida.

— Então... — comecei, ajeitando os óculos. — Tem uma coisa que eu preciso te contar.

Thales parou de balançar as pernas.

— Você vai embora de novo?

A voz dele saiu tão baixa, tão cheia de medo, que meu peito apertou.

— Não. Na verdade, é o contrário. Vou ficar… digamos que você vai me ver ainda mais agora.

Ele franziu a testa, confuso.

— Seu pai me pediu em casamento. — completei de uma vez.

Isso. Não foi tão difícil. Como arrancar um band aid.

Thales ficou em silêncio… merda.

Juliano era mesmo um péssimo companheiro de improviso.

O que faço agora? Ele não vai falar nada?

Depois de alguns longos minutos de silêncio constrangedor, Thales voltou a falar.

— Você e meu pai vão casar?

O tom de voz dele estava repleto de espanto que confesso, me ofendi um pouquinho. Mas tudo bem, eu também não iria acreditar que Vinícius, o presidente da Lotus, iria querer se casar comigo.

— Não de verdade. — Levantei as mãos, rápida. — É de mentirinha. Tipo como os atores fazem nos filmes.

— Bela, eu sei o que é de mentinha. Eu tenho dez anos, não sou mais um bebê.

Eu concordei com a cabeça.

— Claro.

— Mas por quê?

Lá vamos nós…

Eu não sabia se o que iria dizer a seguir seria precipitado mas achei melhor não ficar entrando num espiral de mentiras. Se eu estava contando a verdade, então seria uma verdade por completo.

— Sua avó quer que você more com ela.

— Eu sei. — Thales deu de ombros. — Ela falou ontem no telefone.

Então ele já sabia… e pelo jeito não tinha reagido tão mal assim. Parecia estar aceitando bem uma situação desse tipo.

— E o que você achou disso? Quer continuar morando com o seu pai ou ir com ela?

Ele olhou pro chão. Pros próprios pés balançando de novo.

— Não sei.

Senti meu coração apertar. Thales não parecia estar mentindo. Simplesmente parecia perdido de verdade, sem saber onde pertence.

— Tudo bem não saber. — Passei a mão nos cabelos dele. — Mas seu pai quer que você fique. E pra isso, precisa provar pro juiz que consegue cuidar de você.

— Ele quer mesmo?

A pergunta dele me fez entender o quanto o menino se sentia afastado do próprio pai. E como doutor Vinícius não conseguia demonstrar o quanto o filho era importante na vida dele.

Muito importante, porque tinha pedido a minha mão em casamento.

Eu sei do meu valor e sempre vou lutar pra ser respeitada, mas não posso ser delirante. Sei bem que um homem como ele, só iria cogitar estar com alguém como eu se estivesse totalmente desesperado.

— Quer… não conheço muito seu pai, mas posso garantir que é o que ele mais quer no mundo.

Thales deu um leve sorriso, que tentou disfarçar em seguida.

— Fingir casar com você vai fazer isso? — perguntou, fazendo cara de confusão.

Quando ele colocou desse jeito, soou ainda mais ridículo.

Uma saída desesperada e infantil. Até uma criança de dez anos conseguia enxergar isso.

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