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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 26

Joguei o contrato em cima do colo do Juliano. As folhas cor-de-rosa se espalharam, algumas caindo no chão.

— Olha isso.

Meu amigo pegou uma das folhas, os olhos percorrendo as linhas. A cada cláusula, a sobrancelha dele subia mais.

— "Não haverá contato físico entre as partes"... — Ele leu em voz alta, a voz travando de incredulidade. — "Não compartilhar cama, sofá ou qualquer superfície de descanso por mais de cinco minutos consecutivos"?

— Continua.

— "Não utilizar apelidos afetivos como amor, querido, bebê..." — Juliano largou o papel e me olhou. — Sei que você é feia… somos feios… mas esse povo acha que a gente morde?

— Vai ver nunca viu gente feia de perto.

— Isso é coisa de redpill. — Ele balançou a cabeça. — Próximo passo é ele te mandar tomar Campari.

Me joguei no sofá ao lado dele, exausta.

— Um completo babaca.

— Mimado.

— Acha que pode comprar qualquer coisa.

— Que pode comprar pessoas.

— Exatamente.

Juliano continuou folheando as páginas. Eu já sabia cada cláusula de cor. Tinha lido umas quinze vezes até Juliano chegar, tentando entender como alguém podia ser tão… irritante.

Foi quando ele chegou na última página.

Ele engoliu em seco. Ajeitou os óculos. Leu de novo.

— Bela.

— Quê?

— Cem mil reais?

— Por seis meses de... — Fiz aspas no ar. — Noivado.

Juliano assoviou. O som ecoou pelo apartamento pequeno. Ele se ajeitou na poltrona, puxando a calça social bege que começava a escorregar pelo corpo magricela.

— Se você não casar com ele, eu caso.

— Juliano!

— Tô falando sério! — Ele ergueu as mãos. — Cem mil reais, Bela. Eu finjo que amo ele, finjo que sou mulher, finjo o que ele quiser.

— Você leu as cláusulas?

— Li. E daí? — Ele me olhou como se eu fosse maluca. — Sabe o que eu faria com cem mil reais? Pagava minhas dívidas, comprava um carro, tirava férias pela primeira vez em três anos...

— Não é só sobre dinheiro.

— Daqui a três dias você vai estar na rua, lembra?

— Sobre isso... — Peguei meu celular e abri o aplicativo do banco. — Olha.

Virei a tela pra ele.

Juliano ficou em silêncio por uns cinco segundos. Depois pegou o celular da minha mão, aproximando do rosto.

— Isso é...

— Dez mil.

— Pelos três dias de babá?

— É o que ele disse.

Outro assovio. Mais longo dessa vez.

— Bela, esse homem tá jogando dinheiro em você como se fosse confete. — Ele devolveu o celular. — E você ainda tá em dúvida?

Puxei as pernas pro sofá, abraçando os joelhos.

— A única coisa que me faz pensar em aceitar... é o Thales..

Juliano me olhou por alguns segundos. Conhecia aquele olhar. Era o mesmo que ele fazia quando eu doava meu último centavo pra alguém no semáforo.

— Você e essa mania.

— Que mania?

— De colocar o interesse de todo mundo na frente dos seus...

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