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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 25

Meus pés doíam.

O salto que parecia boa ideia de manhã, agora era pura tortura. Cada passo na calçada quente era uma lembrança de que eu era uma idiota.

Peguei o celular, checando o horário. O ônibus que eu pegava passava dali a dois minutos. Se eu corresse, talvez conseguisse.

— Isabela!

A voz dele me fez parar no meio da calçada.

Tá de sacanagem.

Me virei e vi Vinícius correndo na minha direção. Sem o paletó. A gravata torta. O cabelo sempre tão perfeitamente penteado agora caindo sobre a testa.

— O que você quer? — perguntei, sem paciência nenhuma.

Ele parou na minha frente, ofegante.

— Eu... preciso falar com você.

— Já ouvi o suficiente do que você tinha pra dizer. — Virei as costas e continuei andando.

Tentava com todo o esforço não mancar, pra manter o mínimo de dignidade.

— Espera! Por favor!

— Não tenho tempo pra isso, doutor. Vou perder meu ônibus.

— Então deixa eu te dar uma carona!

Parei de novo, virando pra ele.

— Uma carona? Sério? Você acha que eu vou aceitar alguma coisa vinda de você depois de tudo?

— Não é... — ele passou a mão pelos cabelos, claramente sem saber o que dizer. — Olha, eu só quero conversar.

— Tenho um minuto antes do ônibus chegar.

Ele ficou me olhando, a boca aberta, tentando encontrar palavras. Quase um minuto se passou e ele não tinha conseguido falar nada.

Dei meia volta e comecei a correr em direção ao ponto.

Foi quando um carro passou em alta velocidade bem ao lado da calçada. Havia uma poça de água enorme e eu não tive tempo de desviar.

A água me atingiu em cheio.

Do cabelo aos pés.

Fiquei parada, pingando, sentindo a água fria e suja escorrer pelo meu rosto, pelas minhas roupas. Os óculos estavam completamente embaçados.

Tirei eles, limpei com a barra da blusa — que também estava encharcada — e coloquei de volta.

Tenho a impressão de que situações assim só acontecem com pessoas como eu.

Não importa o quanto eu tente manter a dignidade, sempre algo vexatório vai acontecer comigo.

Mas eu não tive tempo pra me vitimizar, porque o ônibus passou bem na minha frente. Acenei, desesperada, mas o motorista nem olhou. Já estava longe demais.

Perfeito. Simplesmente perfeito.

— Bela...

Vinícius estava parado a alguns metros, me olhando. Parecia estar segurando o riso.

— Nem pensa em rir — avisei, apontando o dedo pra ele. — Nem. Pensa.

Ele ergueu as mãos em rendição, mas o canto da boca tremeu.

— Não tô rindo.

Olhei pro ponto de ônibus. Uma placa velha informava os horários. O próximo só em quarenta minutos.

— Deixa eu te levar — Vinícius disse, a voz mais séria agora. — Por favor.

— Não precisa. Vou ligar pro Juliano.

Peguei o celular da ecobag — que por sorte era impermeável — e disquei.

Fora de área.

Vi o sorrisinho de canto aparecer no rosto dele. Aquele sorriso sacana que dizia "eu sabia".

— Nem vem.

É incrível como perder qualquer medo dele — por não depender mais do salário nem do vínculo empregatício — me libertou. Era maravilhoso poder falar com aquele CEO mimado do jeito que me dava vontade.

Ele deu de ombros, as mãos nos bolsos.

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