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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 16

Thales resistiu um pouco, mas logo cedeu ao sono, os olhos pesados e a respiração ficando cada vez mais lenta enquanto eu passava a mão por seu cabelo. O cheiro de tinta ainda impregnava o quarto, mas agora parecia menos agressivo, quase reconfortante. Fiquei observando ele dormir, pensando em como a infância deveria ser sempre assim. Como eu deveria ser capaz de proporcionar isso a ele.

Desci as escadas devagar. A luz da cozinha estava acesa, mas só um feixe amarelado escapava pela porta entreaberta. Fiquei parado no corredor, ouvindo o som do filtro de água e, depois, um movimento de cadeira contra o chão. Isabela estava sentada à mesa, ainda com a camiseta manchada, as mãos cruzadas ao redor de um copo de vidro.

— Ele dormiu? — perguntou, sem levantar o olhar.

— Dormiu.

Tinha uma mancha azul no queixo dela. Eu quis avisar, mas alguma coisa me impediu. Em vez disso, fui até a geladeira, peguei uma cerveja, e só depois me sentei à mesa, um pouco mais longe do que seria natural. Isabela me olhou de relance, e ficou claro que ela sabia que eu estava desconfortável.

— Se quiser, eu limpo amanhã cedo. — Ela passou a mão pelo cabelo, espalhando ainda mais tinta, e riu sozinha. — Ou pode me matar agora mesmo e acabar com o sofrimento.

— Não vou te matar, Isabela.

Ela ficou me olhando, tentando decifrar se eu estava falando sério. Por um instante, achei que fosse chorar. Em vez disso, riu de novo, mais baixo dessa vez.

— Eu sei que você não gosta de mim, doutor Vinícius. Ou pelo menos não gosta de precisar de alguém como eu.

— Não é isso.

Ela tirou os óculos, limpou com a barra da camiseta, e colocou de volta. Sem eles, parecia outra pessoa. Menos protegida. Mais frágil.

— Você é bom com ele — falei, e foi só isso o que consegui dizer.

— Eu gosto do Thales. É só isso. — Ela deu de ombros. — Ele é um menino incrível, só precisa de alguém que enxergue isso.

Fiquei um tempo em silêncio, tentando entender por que aquilo me incomodava. Talvez fosse porque ela estava certa. Ou talvez porque, pela primeira vez, eu estava enxergando Isabela de verdade, e não como um problema a ser resolvido.

— Eu... — Respirei fundo, tentando organizar os pensamentos. — Eu… não sei cuidar dele sozinho.

Ela arregalou os olhos, surpresa com minha sinceridade. Eu também fiquei surpreso.

Minha voz saiu mais suave do que eu pretendia.

— E o futebol, como foi?

Isabela demorou para responder. Girava o copo nas mãos, os olhos fixos em mim.

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