Perder meu filho na primeira noite como babá não era exatamente um talento que merecia prêmio, mas, de algum modo, Isabela ainda estava aqui. Eu devia ter sido mais incisivo, mais rápido… Deveria ter tido a coragem de tirar essa mulher da minha vida. Mas a última coisa que meu cérebro precisava hoje era lidar com mais estresse, então eu engoli a irritação, deixei as chaves caírem no console do carro e fiquei encarando minha casa feito um estranho do lado de fora.
No retrovisor, o reflexo do meu rosto parecia mais cansado do que eu me sentia, o que não era pouca coisa. Os olhos fundos e o maxilar travado me lembravam do que eu estava evitando pensar: que apesar de todos os meus esforços, a Lotus estava à beira da ruína. Eu achava que tinha tudo sob controle, mas estava completamente perdido.
Mas o que mais me doía era não ter a menor ideia de como me aproximar do meu filho.
Thales. Ele era a última âncora que eu ainda tinha nesse mar de merda, e eu estava falhando até nisso.
Pensei em Valéria… Aquela conversa não foi uma sugestão. Foi uma ameaça. Ela queria a cabeça de Isabela.
Mandá-la embora teria sido a coisa lógica a fazer. Mas em apenas dois dias, ela havia conseguido mais progresso com Thales do que eu em seis meses.
Sai do carro e atravessei o jardim. O cheiro de grama cortada me atingiu e, por um momento, lembrei de quando era criança e meu pai me obrigava a cortar o gramado aos sábados de manhã. Ele dizia que homens precisavam de rotina, de disciplina. Eu odiava aquilo.

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