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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 17

O café estava cheio, mas eu e o Juliano tínhamos um cantinho da vergonha só nosso, perto da janela. Onde dois amigos feios podiam conversar em paz sem estragar o apetite de ninguém.

Juliano já tinha pedido dois cafés e um pão de queijo pra mim antes mesmo de eu conseguir abrir a boca.

Ele me conhecia bem demais.

Eu nem lembrava a última vez que tinha comido pão de queijo.

O cheiro de café passado na hora misturado com a massa assando me dava uma sensação estranha de conforto, como se o mundo lá fora não estivesse completamente uma merda.

— Você tá bem? — Juliano perguntou, a voz um pouco hesitante enquanto empurrava o prato na minha direção.

— Não sei. Acho que sim. — Ri, apoiando o rosto nas mãos, sentindo o calor da xícara aquecer meus dedos frios. — Não acredito que consegui perder o emprego em dois dias. Deve ser um recorde, né?

Juliano não achou graça. Ficou me olhando com aquela cara de cachorro abandonado que ele fazia quando estava preocupado.

— Não faz sentido nenhum. — Ele ajeitou os óculos, nervoso, fazendo os cachos balançarem. — Você perdeu o moleque? Perdeu. Mas também foi você quem encontrou… E ontem? O menino se divertiu pela primeira vez em sabe-se lá quanto tempo... Mas claro, o paizão rico deve ter alergia à felicidade.

— E discordei dele. — Dei uma mordida no pão de queijo, que estava quentinho e perfeito, o queijo derretendo na boca. — Acabou.

Juliano arqueou a sobrancelha.

— Discordou como?

— Ele queria que o Thales fosse no futebol.

— E?

— E eu achei melhor ele não ir. — Juliano me olhava confuso. — Não posso contar. Prometi pro Thales.

Juliano revirou os olhos, mas não insistiu. Ficou em silêncio, olhando pra xícara como se ela tivesse todas as respostas do universo. Depois soltou um suspiro comprido, desanimado, que embaçou os óculos dele.

— Babaca. — Ele limpou as lentes na barra da camisa xadrez. — Todo patrão é igual.

— Eu só quero um emprego. — As palavras saíram cansadas. — É pedir muito?

Juliano ficou encarando a rua através do vidro embaçado pela chuva. Lá fora, as pessoas passavam correndo com guarda-chuvas, a vida seguindo como se nada tivesse acontecido.

— Vai ver foi melhor assim. — Ele deu um gole no café, fez careta porque estava quente demais, o que fez os óculos dele escorregarem do ossinho do nariz. — Você não estudou pra ser babá.

— Eu gostava. — respondi, baixinho. — Do Thales, digo. E eu até que tava me acostumando com o jeito do doutor Vinícius…

Mordi o pão de queijo, mastigando devagar.

Meu amigo não falou nada, então continuei.

— Ele é insuportável, arrogante, tem aquele jeitinho de CEO escroto... mas sei lá, Ju. Quando a gente tava procurando o Thales, tinha algo mais ali. Sei lá, parecia que por trás daquele jeitão de babaca, tinha uma pessoa de verdade.

Juliano ergueu a sobrancelha tão alto que quase desapareceu embaixo dos cachos.

— Caralho, Bela. — Ele se inclinou pra frente, os cotovelos na mesa. — Dois dias e você já tá defendendo ele?

— Não tô defendendo ninguém!

— Tá sim. — ele fez uma pausa dramática. — Vai dizer que se apaixonou?

— Tá maluco?

— Porque parece.

— Ju, o cara me demitiu. Sem nem pensar duas vezes.

— Eu sei. — Juliano cruzou os braços. — Por isso tô achando estranho.

— O quê?

— Você. Defendendo ele.

— Não tô…

— Tá. — Ele apontou o dedo pra mim. — Dois dias de atenção e você já tá romantizando tudo.

A frase me acertou como um tapa na cara.

— Isso foi cruel, Ju.

Ele suspirou, passando a mão pelos cachos.

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