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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 14

Ele estava bem de manhã. O que diabos aconteceu na escola?

Parei em frente à porta do quarto dele e bati levemente.

— Thales? Posso entrar? Você esqueceu sua mochila.

Nada. Ele estava me ignorando.

— Thales, eu sei que você tá aí dentro.

— Vai embora.

Encostei a testa na porta, respirando fundo.

— Thales, por favor. Só quero te dar sua mochila e ver se você tá bem.

Alguns segundos de silêncio depois, ouvi passos arrastados e a porta se abriu apenas em fresta. O menino apareceu, os olhos vermelhos, o cabelo bagunçado.

— Tá... tá, pode me dar.

A voz dele saiu diferente, com uma leve gagueira que eu nunca tinha ouvido antes.

— Posso entrar?

— N-não precisa.

— Thales...

— Eu disse que não precisa! — ele tentou pegar a mochila da minha mão, mas fez uma careta de dor e segurou o lado do corpo.

Não pensei duas vezes. Empurrei a porta devagar e entrei no quarto. Thales recuou alguns passos, os olhos arregalados.

— Ei, calma. — falei, fechando a porta atrás de mim. — Só quero conversar.

— Você n-não pode ajudar.

— Por que não?

Ele balançou a cabeça, limpando os olhos com as costas da mão.

— Porque... porque você vai contar pro meu pai.

Ah. Então era isso.

— Thales, eu não vou contar nada pro seu pai se você não quiser. Prometo.

— Promete mesmo?

— Prometo. Mas preciso que você seja honesto comigo, tá bom?

Ele hesitou, mordendo o lábio inferior. Depois de alguns segundos, veio até a cama e se sentou ao meu lado, mantendo distância. Os ombros ainda estavam tensos, o corpo todo em posição defensiva.

Thales desviou o olhar, fixando os olhos no chão.

— Foi só... foi só uma brincadeira.

Senti o sangue ferver.

Brincadeira.

Essa palavra maldita que adultos usam pra minimizar o bullying.

— Que tipo de brincadeira?

— Eles... eles me empurraram.

A voz dele saiu tão baixa que eu quase não consegui ouvir.

— Empurraram?

— É. Na hora do intervalo. Eu tava sozinho e... e eles vieram e começaram a me empurrar. Falaram que eu era esquisito e que... — a voz dele falhou. — Que minha mãe tinha morrido porque não aguentava ter um filho feio e chato igual a mim.

Filhos da puta. Como é que crianças podiam ser tão cruéis?

Bom, eu sabia o quão cruéis podiam ser. Me lembro bem.

— Um deles me deu um soco aqui. — ele continuou, apontando pro lado do corpo. — E quando eu caí, o outro me chutou.

Fechei os olhos. Era como se eu revivesse todas as ofensas que tinha ouvido enquanto crescia.

— Deixa eu ver.

Ele hesitou, mas depois de alguns segundos levantou a camisa com cuidado.

O lado esquerdo do corpo dele estava roxo. Uma mancha enorme que ia das costelas até quase a cintura. Havia também alguns arranhões e o que parecia ser a marca de um chute.

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