Hannah Brooks.
Quando as portas do elevador finalmente foram abertas, minha boca instantaneamente se abriu em um formato de "O".
- Bem-vinda, amor.
A voz de Cael sussurrou de algum lugar atrás de mim, mas minha atenção estava voltada para o lugar à minha frente, para o luxo daquele ambiente, para cada mínimo detalhe.
A cobertura era o próprio significado de poder. O espaço era imenso, decorado em tons de cinza-chumbo, mármore negro e detalhes em aço escovado que gritavam a identidade do Cael. Mas o verdadeiro soco no estômago eram as imensas paredes de vidro que substituíam os tijolos.
Do chão ao teto, Manhattan se estendia diante de nós como um mar de diamantes acesos sob o céu escuro. As luzes da cidade e o reflexo da baía preenchiam a sala com uma iluminação dourada e hipnótica, fazendo o lugar parecer flutuar acima do mundo.
Eu mal conseguia processar a grandiosidade daquilo.
Era minimalista, frio, absurdamente caro e perfeitamente intocável. Exatamente como o homem cujas mãos agora deslizavam possessivas pelas minhas costelas.
Cael me guiou até o centro da imensa sala enquanto as portas do elevador se fechavam com um clique suave e definitivo atrás de nós.
A pressão firme da sua mão permanecia possessiva em minha cintura, um ponto de calor constante contra a minha pele enquanto ele ditava o ritmo dos nossos passos.
- Gosta do que vê? - perguntou. A voz dele ecoou de maneira suave, quase aveludada, em um tom incomum que quase buscava pela minha aprovação. - Comprei essa cobertura há alguns anos, quando estávamos fundando a filial da Sterling Corp aqui em New York. No início, era apenas um simples refúgio para os dias em que o trabalho acumulava e o tempo não me permitia voltar para casa, em Toronto.
- Isso é incrível... - minha voz ecoou baixa, um quase sussurro que denunciou sem esforço o quão impressionada e tragada eu estava por tudo ao meu redor. Desviei os olhos da janela por um segundo para encará-lo de soslaio. - Mas tenho quase certeza de que a palavra "simples" passou bem longe do vocabulário de quem projetou este lugar, chefinho.
Deixei um pequeno sorriso moldar meus lábios e me deliciei ao observar o início de um riso genuíno surgir nos cantos dos lábios dele, suavizando aquela expressão implacável de CEO.
- Vamos, amor... Deixe-me apresentá-la ao meu humilde refúgio esta noite - ele rebateu com um tom divertido, apertando de leve a minha cintura antes de começar a me guiar pelo espaço.
Cômodo após cômodo, Cael me conduziu pela imensidão daquela cobertura de dois andares que, sendo muito franca, mais parecia um palácio contemporâneo flutuando no céu do que um apartamento residencial.
Cada milímetro daquele lugar exalava o DNA dele; parecia ter sido milimetricamente planejado para refletir sua personalidade controladora e imponente.
A sala principal exibia quadros abstratos de proporções gigantescas e vasos nitidamente caríssimos, tudo ornando em uma paleta de tons chumbo, preto e fendi. A cozinha, totalmente minimalista, ostentava eletrodomésticos de última geração embutidos em bancadas de mármore escuro.
E o banheiro principal... céus, era um verdadeiro spa particular, com uma banheira de imersão esculpida em rocha que era, claramente, maior do que o quarto da minha antiga casa. O luxo se espalhava de forma ostensiva por cada canto, me deixando ligeiramente tonta e deslumbrada ao mesmo tempo.
No entanto, o verdadeiro xeque-mate dele aconteceu quando ele finalmente me levou para a área externa do terraço. Naquele momento, meu queixo foi ao chão de uma forma inexplicável.
No topo do mundo, cercada por painéis de vidro reforçados para conter o vento cortante da noite, havia uma piscina. Uma piscina privativa daquelas de borda infinita, cujas águas perfeitamente cristalinas e iluminadas por LEDs subaquáticos pareciam se misturar diretamente com o breu da noite de Manhattan.
A vista da Baía de Nova York se estendia dali de um jeito que cortava o fôlego; as luzes da cidade cintilavam ao fundo como poeira estelar, refletindo-se na superfície trêmula da água.
A estrutura do terraço era um absurdo à parte. Havia um pequeno bar privativo em um dos cantos, espreguiçadeiras de design exclusivo, ombrelones e até mesmo um projeto de paisagismo que imitava um pequeno jardim suspenso.
Eu me perguntei sinceramente como era engenharialmente possível caber tanta opulência no topo de um edifício.
- As águas são aquecidas - sussurrou Cael bem próximo ao meu ouvido, a névoa sutil do vapor da piscina subindo contra o ar frio da noite e moldando a silhueta dele atrás de mim. - O que acha de um mergulho?

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