Cael Sterling.
Não havia foto alguma.
Não havia nenhuma manchete espalhada em portais de fofocas, colunas sociais ou qualquer outro tipo de notícia barata circulando na mídia. Pelo menos não ainda.
O que de fato brilhava na tela do meu celular era uma mensagem direta de Hailey Donovan. Uma ameaça velada, fria e explícita de que faria Hannah pagar caro por tê-la humilhado daquela forma pública em frente ao restaurante. Hailey achava que tinha algum poder de barganha, mas estava redondamente enganada.
Eu precisei mentir para a Hannah. Precisei inventar o pretexto daquele noivado falso e do burburinho na internet por um único motivo: eu precisava que ela se preparasse psicologicamente para as fofocas, para o veneno da mídia e para tudo o que Hailey provavelmente tentaria jogar em cima dela nos próximos dias.
Mas, no fim das contas, a internet e a imprensa são meros detalhes burocráticos. Eu tenho dinheiro e influência mais do que suficientes para garantir que nenhuma linha venha a público de forma distorcida.
E se Hailey quer uma guerra, eu vou me assegurar pessoalmente de destruir cada recurso dela para que nunca mais ouse mexer comigo. Ou com o que me pertence.
Ninguém toca no que é meu. Hannah Brooks é estritamente minha, e ponto final.
A verdade é que eu não planejei uma noite como essa, cruzando a fronteira em um jato executivo, apenas por capricho ou mero prazer carnal. Eu planejei tudo isso porque eu a quero de um jeito obsessivo. Eu quero essa mulher ao meu lado a todo e qualquer custo.
Eu não sou um homem romântico; já fui um dia, há muitos anos, e aquela versão patética e sentimental quase me custou a vida, quase me fez cometer o erro definitivo de tirar a minha própria vida.
Eu não posso - e não vou - voltar a ser aquele homem fraco e vulnerável do passado.
Mas Hannah... ela tem esse efeito maldito sobre mim. Ela me faz querer o proibido. Me faz querer estar perto, me força a tentar de novo, a ser presente de verdade. Ela me faz querer reviver cada pedaço daquele sentimento perigoso que eu jurei manter trancado a sete chaves no fundo do meu peito.
Maldita garota irritante, que parece ter sido colocada no mundo com o único propósito de me tirar do sério e testar os meus limites. Mas que, ao mesmo tempo, possui um riso capaz de acalmar o caos mais profundo dentro de mim. Eu odeio a ideia de ser fraco, mas talvez... só talvez, por ela, eu esteja finalmente disposto a ceder um pouco de terreno.
Sou arrancado abruptamente dos meus devaneios quando a voz do piloto ecoa pelo sistema de som, anunciando que iniciamos a nossa aproximação final e estamos prestes a pousar.
Ajustamos os nossos cintos de segurança.
Quase que instantaneamente, sinto o pânico tomar conta de Hannah mais uma vez quando o avião inclina levemente o nariz para baixo. Suas unhas voltam a se cravar com força no meu pulso, buscando uma âncora. Em vez de me afastar, viro minha mão, prendendo os dedos dela entre os meus e levando o dorso da sua mão até os meus lábios, depositando ali um beijo demorado e carregado de um carinho incomum.
- Estamos quase chegando, amor... - sussurro, me inclinando até que meus lábios roam a curva do seu ouvido, o hálito quente arrepiando sua pele. - O avião vai tocar o solo em alguns minutos. Mas, se o medo estiver muito grande, eu posso providenciar outra distração imediata aqui mesmo...
Deixo o silêncio pairar entre nós por um instante pesado, enquanto um sorriso cínico e provocador desenha-se em meus lábios.
- Você não seria maluco a esse ponto, Cael... - ela rebate, a voz saindo um pouco abafada. Seus olhos verdes se estreitam, fixando-se em mim com aquela fagulha clássica de desafio que eu tanto amo.
- Nós temos exatamente dez minutos até tocarmos a pista - continuo, a voz ainda mais baixa, arrastada contra a pele sensível da sua nuca. - Acredite, garota... dez minutos é tempo mais do que suficiente para eu fazer você gritar o meu nome outra vez dentro desta cabine.
- Se você só ousar pensar em fazer isso... eu juro pelos céus, Cael Sterling, que eu tranco a porta do meu quarto e não deixo você entrar por uma semana inteira - ela retruca de imediato, o peito subindo e descendo com uma irritação genuína que me faz desabar em uma risada curta e deliciada.
- Tudo bem, amor... Vou fazer esse sacrifício supremo. Pelo menos até chegarmos ao nosso destino final.
Mantenho os nossos dedos firmemente entrelaçados enquanto o jato perde altitude.
Continuo a sussurrar no ouvido dela, preenchendo o espaço com palavras baixas sobre o quão magnífica ela estava naquela noite, o quão perfeita cada curva do seu corpo reagia ao meu toque, e mais uma série de obscenidades detalhadas que a fazem corar intensamente de forma quase instantânea.
Os dez minutos parecem voar. Em um tranco firme acompanhado pelo ronco reverso das turbinas, o avião finalmente toca o solo asfalto de Nova York. Hannah abre os olhos devagar, piscando contra a iluminação da pista, e olha através da janela oval, assimilando o fato de que já estamos oficialmente em solo americano.
Seus olhos logo se voltam para mim, semicerrados, com aquele toque de petulância e pura audácia estampado em suas feições.
- Eu realmente espero que você esteja planejando cumprir cada promessa absurda que sussurrou no meu ouvido, Cael Sterling - um sorriso desafiador e perigosamente sexy toma conta dos seus lábios entreabertos. - Porque, acredite em mim quando digo que pretendo cobrar com juros cada uma delas assim que sairmos daqui.
Apenas sustento o olhar, permitindo que um sorriso lento e predatório se forme em meu rosto enquanto concordo silenciosamente. Se ela tivesse a menor ideia do banquete e do controle que a aguardam na cobertura de Manhattan... ela nem pensaria em cobrar juros. Ela imploraria por clemência.
》☆☆☆☆☆《
O desembarque em solo americano aconteceu com a eficiência cirúrgica que o meu dinheiro sempre comprava. Não houve burocracia, não houve atrasos e, o mais importante, nenhum parazzi maldito no nosso encalço.
Quando a porta do jato se abriu e o ar fresco da noite de Nova York nos atingiu, guiei Hannah pela pista privativa segurando-a pela curva da cintura, sentindo-a caminhar um pouco mais devagar, ainda assimilando a imensidão daquela cidade.
Mas o primeiro choque real dela veio segundos depois, quando contornamos a lateral do hangar e demos de cara com a limousine preta, de vidros totalmente blindados e opacos, que já nos aguardava com o motor silenciosamente ligado.
Hannah parou o passo por um milésimo de segundo, os olhos verdes se arregalando sutilmente antes de ela recuperar a pose e me encarar com uma sobrancelha arqueada.
- Uma limousine, Cael? - ela provocou, embora a vibração na sua voz denunciasse o vislumbre de empolgação. - Você realmente não sabe brincar de ser discreto, não é?

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