Cael Sterling.
A cabine volta ao silêncio habitual do voo, quebrado apenas pela respiração pesada da garota de Toronto que, agora, parece ter esquecido completamente que o avião está no ar.
Retiro meus dedos lentamente de dentro dela, apreciando o som úmido que o movimento faz, e observo as feições relaxadas de Hannah. Ela mantém os olhos fechados, mas não por medo - o rosto está corado, os lábios entreabertos e a expressão é de pura exaustão sensorial.
Com toda a calma do mundo, levo a mão até a altura dos meus olhos, encarando os meus próprios dedos brilhando com o rastro do prazer dela.
Levo meus dedos a boca, sugando um após o outro, saboreando o gosto pecaminoso que somente ela tem.
Olho para ela, que começa a abrir os olhos lentamente, me encarando com uma mistura de choque e total submissão ao perceber o que acabou de acontecer.
Aproximo minha boca do ouvido dela uma última vez, deixando que ela veja quando eu limpo o canto dos meus dedos com a ponta da língua de forma deliberada.
- Viu só? - sussurro, a voz carregada de uma promessa perigosa e sombria. - O avião nem parece tão assustador agora. Guarde bem esse sentimento, Hannah... Porque isso foi só o calmante para a viagem. O verdadeiro banquete começa quando meus pés pisarem naquela cobertura em Nova York.
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Hannah Brooks.
Pois bem. Acho que já posso adicionar oficialmente à lista de loucuras absurdas que cometi na vida o tópico listado como:
"Gozar nos dedos do meu chefe a doze mil metros de altura, na cabine privativa de um jato executivo."
Eu estou reclamando? Obviamente não. Para falar a mais pura verdade, eu ainda me pergunto, em um estado de quase choque térmico sensorial, como é possível alguém ter mãos tão absurdamente habilidosas ao ponto de quase me fazer esquecer meu próprio nome.
Quando Cael me convidou para sair mais cedo, eu genuinamente não sabia o que esperar daquela noite. Quero dizer, o jantar no restaurante de luxo já tinha sido incrível por si só, mas entrar em um avião com destino a outro país é, sem sombra de dúvidas, algo surreal.
E não, eu não menti quando confessei a ele, no meio daquele ataque de pânico, que nunca tinha voado antes. Eu sequer saí das fronteiras de Toronto em toda a minha vida; quem dirá ter o privilégio inacreditável de pisar em solo internacional.
Mas, honestamente, a altitude e o luxo absurdo deste lugar nem são os fatores mais importantes agora.
O que realmente importa - e o que mais me assusta no fundo da alma, mesmo que eu gaste cada gota do meu orgulho tentando não demonstrar - é a forma quase carinhosa com que ele me chama de amor.
Mesmo que eu repita para mim mesma que isso é apenas uma encenação bem-feita, parte do jogo de poder dele, há algo que se aperta dolorosamente dentro do meu peito.
Uma voz pequenininha me alertando de que é só um apelido vazio, mas que eu, pateticamente, não consigo deixar de amar ouvir saindo daquela boca.
A verdade nua e crua é que... eu tenho gostado muito mais do que gostaria de admitir de toda essa proximidade perigosa.
Eu gosto do cuidado disfarçado que ele tem comigo. Gosto da forma como as mãos dele procuram pelo meu corpo no meio da noite, possessivas, mas possessivas de um jeito que me faz sentir segura. Gosto de como ele resmunga e murmura coisas sem sentido nenhum enquanto dorme profundo ao meu lado.
Gosto de tirá-lo do sério, de ver a veia da sua testa pulsar quando o desafio, e gosto ainda mais de como ele finge que manda em tudo, mas acaba resmungando e fazendo exatamente o que eu peço no final. Gosto até mesmo dos nossos momentos em silêncio na minha cama simples, apenas assistindo a um filme qualquer ou a um desenho animado - mesmo sabendo que ele acha aquilo a coisa mais infantil do mundo, ele continua ali, comigo.

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