Cael Sterling.
Sinto a frustração latejar nas minhas têmporas no segundo em que coloco os pés para fora daquele quarto.
O corredor parece subitamente frio, vazio e silencioso demais. Porra, eu estava tão perto. Ela estava tão perto de ser completamente minha.
A imagem dela sob o meu corpo, vulnerável e ao mesmo tempo desafiadora, está queimando atrás das minhas pálpebras. Eu a queria - e não era uma vontade comum, era uma necessidade primitiva de sentir o calor da pele dela, de me perder no toque dos seus dedos e de devorar cada suspiro que ela soltava enquanto se entregava ao que estávamos criando ali.
Eu perdi o controle. Pela primeira vez em anos, a porcaria do controle não significava nada. Eu o mandaria de bom grado para o inferno se isso me garantisse mais dez minutos dentro daquele quarto, ouvindo o som da voz dela chamando meu nome sem títulos ou barreiras.
Respiro fundo, tentando oxigenar o cérebro, e me encosto na porta, mantendo a mão fechada sobre a maçaneta fria. O impulso é violento: eu poderia simplesmente girar o punho, entrar novamente e terminar o que comecei.
Eu poderia.
E ela me deixaria fazer isso, eu sabia que sim.
- Cael.
A voz de Ayla, vinda de algum ponto do corredor, corta o ar e me arranca brutalmente do transe. Controlo minha respiração a duras penas, forçando meus pulmões a trabalharem em um ritmo normal enquanto me afasto da porta e me viro para encará-la. Tento recompor a máscara de indiferença, mas sinto que é tarde demais.
- Estou descendo... eu apenas...
- Você não precisa me dizer nada, meu amigo - Ayla interrompe, usando aquele tom compreensivo demais que só ela consegue ter. É irritante o quanto ela consegue ler as entrelinhas. - Eu vi quando você subiu atrás dela. Vi quando usou a desculpa esfarrapada de que precisava ir ao banheiro. Eu realmente não queria interromper nada, acredite, mas o Sebastian já estava começando a ficar impaciente com a sua demora e estava pronto para vir te caçar aqui em cima.
Ela faz uma pausa deliberada, seus olhos castanhos me analisando com uma precisão cirúrgica, como se tivessem acesso direto a todos os segredos que eu tento esconder atrás de ternos caros e carrancas.
- Inventei que precisava pegar algo no quarto da Mia e me ofereci para vir no lugar dele - ela continua, mantendo a voz baixa e cúmplice. - Imaginei que você não estaria com paciência para enfrentar um interrogatório completo dos seus irmãos às oito da noite de um sábado.
- Eu... eu não... - Tento formular uma desculpa, qualquer merda que me tire daquele holofote. - Eu só queria ver se ela precisava de algo, se estava instalada e...
- Cael, você não precisa se explicar e sabe muito bem disso - ela diz, um sorriso pequeno e ladino surgindo em seus lábios. - Seu estado atual fala muito mais alto do que qualquer justificativa que você tente inventar. Agora, por favor, torne-se apresentável novamente e desça quando estiver pronto. Vou distrair seus irmãos lá embaixo por mais alguns minutos.
Ela solta uma risadinha discreta ao passar o olhar pelo meu estado: a camisa social amassada pelos dedos dela e o cabelo completamente desgrenhado.
Eu sou a prova viva de que o furacão Brooks passou por mim e me deixou em ruínas.
Ayla se vira e segue pelo corredor em direção às escadas com a elegância de quem guarda segredos melhor do que qualquer um de nós. Ela para no topo do primeiro degrau, a silhueta emoldurada pela luz que sobe do andar de baixo, e se vira para me encarar uma última vez.
- E Cael... nos apresente ela logo. Tenho certeza de que deve ser alguém muito especial para te deixar assim.


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