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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 55

Hannah Brooks.

Jane estaciona o carro suavemente em frente à imponente residência dos Sterling. No banco do passageiro, uma sensação avassaladora de déjà vu

me invade, apertando meu peito de um jeito que eu conheço bem demais.

Respiro fundo, tentando manter a compostura enquanto meus olhos focam na fileira de casas perfeitamente alinhadas à nossa frente.

- Está tudo bem, Hannah? - A voz de Jane quebra o silêncio. A preocupação genuína em suas palavras me obriga a hesitar por alguns segundos. - Você está pálida, amiga... Parece que viu um fantasma.

- Sim... só um pouco de tontura, eu acho. - Minto descaradamente, mantendo os olhos fixos no para-brisa. Não me atrevo a olhá-la; tenho pavor de que ela enxergue a hesitação estampada no meu rosto. - Acho que aquele almoço não me caiu muito bem.

- Se quiser, podemos ir direto para o meu apartamento - sugere Jane, cheia de empolgação. - Eu preparo algo leve para comermos e fazemos uma daquelas sessões de filmes que costumávamos fazer. A propósito, estamos precisando desesperadamente de uma noite dessas.

- Sem dúvida, precisamos - respondo com um meio sorriso forçado. - Mas acho que vou deixar para a próxima. O dia foi incrível e, para completar, eu só preciso de...

- Quanta enrolação só para dizer que vai passar a noite com o seu segurança gostoso! - Jane me interrompe, rindo do desespero que, claramente, falhei em esconder. - Relaxa, eu não te julgo. Vou aproveitar a noite com o Levi e colocar em prática algumas coisas que andei lendo ultimamente. Você sabia que...

- NÃO! - Exclamo, cortando-a antes que o detalhamento técnico comece. - Somos amigas, Jane, mas eu juro que não preciso de um relatório das suas aventuras sexuais com o Levi.

Ela solta uma gargalhada alta, deliciando-se com a minha reação. O horror deve estar tão nítido na minha face que virou entretenimento gratuito para ela.

- Você está certa, amiga. - Ela diz, ainda entre risos. - Vai lá se atracar com seu segurança e, qualquer coisa, me manda uma mensagem. Eu me recuso a ligar para você hoje à noite; não quero me traumatizar mais do que já me traumatizei ontem.

Reviro os olhos, sabendo que ela está apenas blefando, mas não respondo. Nos despedimos com um aceno rápido e eu desço do carro.

Os portões de ferro da propriedade se abrem com um ruído surdo e eu adentro o terreno. Cumprimento os seguranças da guarita com um aceno mecânico e sigo o caminho de pedra até a porta principal.

Um frio estranho, quase elétrico, toma conta da minha barriga. É a sensação de estar presa em um ciclo, de que no momento em que eu girar essa maçaneta, tudo o que aconteceu na noite passada vai se repetir, quadro a quadro.

Balanço a cabeça, tentando espantar esses pensamentos intrusivos, e entro.

O hall de entrada está mergulhado em uma luz quente e âmbar, preenchendo o cômodo com uma atmosfera acolhedora que contrasta brutalmente com o vento gelado da noite lá fora.

Fecho a porta atrás de mim, encosto as costas na madeira por um instante e respiro fundo.

Ao longe, percebo que as luzes da sala de estar estão acesas... Eu não preciso estar lá para saber exatamente quem encontrarei se cruzar aquele arco.

Ignoro o impulso de espiar e subo as escadas apressadamente.

O meu quarto parece um santuário distante; a ideia daquela banheira magnífica e de algo para comer me devolve um pouco do juízo. Caminho pelo corredor silencioso e paro em frente à minha porta, tateando o interior da bolsa em busca da chave.

De repente, meu corpo trava. Antes mesmo de qualquer som, o perfume dele chega. É o mesmo aroma inebriante, amadeirado e caro da noite anterior.

Fecho os olhos por um segundo, tentando me convencer de que é apenas uma alucinação, uma peça pregada pelo meu subconsciente culpado.

- Senhorita Brooks... - A voz dele ressoa bem rente ao meu ouvido, um sussurro rouco que é quase inexistente, mas que faz cada pelo do meu corpo se eriçar.

Eu devo estar enlouquecendo.

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