Cael Sterling.
Eu só posso estar muito bêbado, porra.
Não existe outra explicação lógica. O whisky que tomei naquele jantar — e a garrafa que praticamente esvaziei sozinho desde que coloquei os pés nesta casa maldita — deve ter corroído a última camada de discernimento que me restava.
É a única razão para que meus olhos, sempre tão precisos em identificar falhas e fraquezas, agora se desviem do rosto dela e traiam cada princípio de conduta que eu estabeleci.
Eu tento focar no interrogatório, tento focar no paradeiro do meu filho, mas o maldito decote do vestido preto se torna um ponto magnético. Ele abraça as curvas dela de um jeito que parece um insulto à minha sanidade.
É um contraste violento: o tecido escuro contra a pele clara, iluminada apenas pela penumbra do hall. Eu me odeio por notar a forma como a respiração dela se torna entrecortada, fazendo com que o contorno dos seus seios suba e desça em um ritmo que dita o meu próprio desespero.
Sinto minha própria respiração falhar. Eu estou enlouquecendo.
Fecho os olhos com força por um segundo, balançando a cabeça em um gesto quase desesperado para clarear a mente, para expulsar a névoa de álcool e desejo que está nublando meu julgamento.
Mas o escuro das minhas pálpebras só piora tudo.
Meus outros sentidos se aguçam.
Respiro fundo e o cheiro que me invade é uma armadilha: rosas frescas, o doce de um perfume feminino caro e o leve toque ácido de álcool.
Ela também bebeu. Ela também está com a guarda levemente baixa, embora tente esconder isso atrás dessa fachada de insolência.
Abro os olhos e os fixo nos dela. O azul — ou seria cinza sob essa luz? — me encara de volta com um desafio que beira o insuportável.
Mas a máscara dela tem rachaduras.
A respiração está mais intensa, carregada, o peito subindo e descendo com uma urgência que ela não consegue camuflar.
Dou um passo à frente. Depois outro.
Eu avanço como um predador que parou de fingir que não está com fome. A distância entre nós morre a cada movimento meu, até que eu a deixo sem saída, prensada contra a madeira fria da porta.
Estamos próximos a um nível perigoso, um nível que rasga qualquer contrato de trabalho e o transforma em cinzas.
— Onde você estava, senhorita Brooks? — Minha voz ecoa, mas não sai como o trovão que eu pretendia. Ela sai baixa, rouca, carregada de uma vibração que eu mal reconheço como minha.
Engulo em seco. Meus olhos deslizam, sem permissão, para os lábios dela. Estão avermelhados, úmidos, entreabertos. Eu me pergunto se o gosto do gloss que ela usa é tão doce quanto o cheiro que emana da sua pele.
Ela sustenta o olhar. Há desafio ali, uma arrogância que me faz querer gritar e, ao mesmo tempo, silenciá-la da única forma que minha mente embriagada consegue imaginar agora.
— Até onde sei, minha vida pessoal não lhe diz respeito, senhor Sterling. — A voz dela é um sussurro cortante, repleta daquele tom de superioridade que sempre me tira do sério, mas que agora, por algum motivo doentio, só faz o sangue bombear mais rápido nas minhas veias.
Dou o último passo. O golpe final na distância.
Fecho totalmente qualquer espaço que restava entre nós. Meu peito quase toca o dela. A diferença de altura é nítida; ela é pequena diante de mim, mesmo com o tênis que escolheu usar, obrigando-a a inclinar a cabeça para trás para manter o contato visual.
Essa posição expõe a linha do pescoço dela, a pulsação acelerada na base da garganta, denunciando que ela não está tão calma quanto quer parecer.
A respiração dela se torna pesada, batendo contra o meu pescoço. A minha é um caos completo. Minhas mãos coçam para tocá-la, para testar se aquela pele é tão macia quanto parece, ou para segurá-la no lugar e mostrar quem realmente manda aqui.
— Eu costumo prezar pela segurança dos meus funcionários — digo, a voz agora reduzida a um fio de som perigoso.

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