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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 45

Hannah Brooks

O clima no pub é o tipo de coisa que te abraça antes mesmo de você perceber. No palco, alguém canta um cover de uma música country que eu definitivamente não conheço, mas que, ainda assim, parece perfeita para o momento. As mesas estão espalhadas pelo salão, ocupadas por grupos que, assim como Jane e eu, claramente sobreviveram a uma semana caótica e agora só querem esquecer disso por algumas horas.

O lugar é barulhento, vivo, cheio de risadas que se misturam ao som da música e ao tilintar dos copos. O calor aconchegante do ambiente contrasta de forma quase absurda com o frio cortante da noite de Toronto, como se ali dentro existisse uma realidade completamente diferente da que ficou do lado de fora.

Levo a caneca de cerveja aos lábios e dou um gole longo, sem pressa, sentindo o líquido descer queimando suavemente pela garganta e se espalhar pelo corpo. É quase imediato — como se o álcool acendesse algo dentro de mim, devolvendo um pouco da energia que aquela semana infernal fez questão de arrancar.

Em cima da mesa, meu celular vibra.

Uma vez.

Depois outra.

E outra.

Insistente.

O nome do meu adorável chefe brilha na tela, iluminando o vidro como um alerta silencioso que eu finjo não ver.

Talvez ele já tenha percebido que a casa está vazia. Talvez tenha finalmente notado que não tem ninguém lá para atender às expectativas absurdas dele e decidiu que eu sou o alvo mais fácil.

Respiro fundo, girando a caneca entre os dedos.

Droga… Mia me garantiu que avisaria.

Talvez ela tenha avisado.

Talvez ele só esteja fazendo drama.

O que, convenhamos, não seria nenhuma novidade.

Desvio o olhar do celular e encaro Jane, que já está me observando com aquele sorriso cúmplice nos lábios, como se estivesse assistindo a um espetáculo particular. Eu já contei tudo — o caos, a mensagem, a fuga estratégica. Ela sabe exatamente como ele chegou em casa: possesso, pronto para descarregar em alguém… e como eu fui inteligente o suficiente para não estar lá quando isso aconteceu.

E continuo sendo.

Porque, definitivamente, eu me recuso a estragar minha noite por causa do mau humor dele.

— Você não vai atender mesmo? — ela pergunta, inclinando levemente a cabeça, a curiosidade misturada com um resquício de preocupação no olhar. — Pode ser algo importante.

Solto um pequeno riso, apoiando o cotovelo na mesa. — Não é. — respondo, com um sorriso preguiçoso brincando nos lábios. — A irmã dele já me avisou que ele poderia dar alguns chiliques. Disse que passa.

Jane arqueia uma sobrancelha, claramente não convencida.

— Eu ainda acho que ele é meio louco — diz, antes de levar a própria cerveja à boca. — Aquela forma como ele praticamente te perseguiu pra te oferecer essa vaga de babá? Nada normal. — Ela abaixa o copo, me lançando um olhar divertido. — E você é mais louca ainda por ter aceitado.

Faço uma careta leve, mas o sorriso continua ali.

— As dívidas estudantis estavam me engolindo viva — respondo, desviando o olhar por um instante e deixando ele passear pelo balcão ao fundo, pelas luzes quentes, pelas pessoas que seguem vivendo suas noites como se nada no mundo fosse urgente. — Era isso ou trancar a faculdade… então, de certa forma, essa vaga apareceu na hora certa.

Jane me observa por alguns segundos, avaliando, como se estivesse pesando minhas palavras. Então faz uma careta exagerada antes de pegar uma batata frita do prato no meio da mesa.

— Eu sei… — ela dá de ombros, mastigando com calma. — Você não estava exatamente em posição de escolher.

Inclino a cabeça, concordando em silêncio.

— Pelo menos ele respeita seus horários de estudo — completa ela, como se estivesse tentando encontrar algum ponto positivo na situação.

Solto um pequeno sopro de riso, voltando a levar a cerveja à boca.

— Foi uma das minhas exigências no acordo. — digo, girando a caneca agora vazia entre os dedos, observando o fundo âmbar que já não existe mais. — Sem falar que, agora que a irmã dele voltou de viagem, eu passo mais tempo livre do que realmente com o Theo. — Dou de ombros, um sorriso leve surgindo. — E ele é um garotinho adorável, apesar de tudo… nem parece que tem um pai completamente maluco.

Jane cai na gargalhada quase instantaneamente, e eu não demoro a acompanhá-la. O riso vem fácil, solto, quase necessário. Minha vida virou um equilíbrio tão instável entre caos e pequenas vitórias que, sinceramente, se eu não rir… eu desmorono. Então eu rio. Do absurdo, das coincidências, das ironias mal colocadas que parecem me seguir.

E como se lidar com o senhor Sterling já não fosse suficiente, ainda tive que encarar o espetáculo patético que foi Ryan ontem de manhã, bem no meio da universidade. Pelos céus… o homem apareceu com flores. Flores. E um carro de som. Como se estivéssemos vivendo em uma comédia romântica barata onde grandes gestos consertam traição.

E o detalhe mais ridículo?

Ele ainda estava machucado.

Com curativos visíveis, expressão sofrida e aquele ar dramático de quem acredita estar protagonizando uma grande história de amor. Implorando por outra chance, dizendo que o nosso “amor” não podia acabar daquela forma.

Engraçado.

Foi ele quem acabou com tudo.

Foi ele quem decidiu que fidelidade era opcional.

A ironia quase me faz rir de novo.

Na verdade, talvez ele só esteja precisando de outra “conversa” como da última vez. Quem sabe isso ajude a refrescar a memória dele… porque, claramente, a primeira não foi suficiente.

Solto um suspiro leve, apoiando o queixo na mão por um segundo, deixando o olhar se perder no movimento do pub.

É como eu sempre digo…

Minha vida é um circo.

E eu sou, sem dúvida alguma, a palhaça principal.

Maldito destino.

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