Hannah Brooks.
- Cael, por favor, me devolve a bolsa. Eu só preciso pegar a minha chave! - peço pela terceira vez, tentando alcançar o acessório de couro que o meu noivo segura a quase dois metros de altura, totalmente fora do meu alcance.
- Não. Você não vai carregar peso hoje, Hannah - ele decreta com aquela voz grave e inflexível de quem está comandando uma operação militar, mantendo a bolsa firme na mão direita enquanto usa o outro braço para me cercar com um cuidado quase ridículo.
- É a minha bolsa! Ela pesa meio quilo! Só tem um batom, a minha carteira e um gloss!
- Meio quilo a mais do que a sua coluna precisa sustentar neste exato momento - ele rebate sem piscar um único músculo da cara. - E você empalideceu há dez minutos na cozinha. O que significa que o seu nível de glicose caiu ou o bebê decidiu que não gosta do cheiro do café da manhã da mansão.
Solto um suspiro teatral, jogando a cabeça para trás no meio do saguão de entrada.
Se alguém me dissesse há seis semanas que o CEO implacável da Sterling Corp, o homem que comanda reuniões de bilhões sem alterar um tom de voz, se transformaria em um pai surtado, neurótico e completamente bitolado por conta de um enjoo matinal, eu teria dado uma gargalhada na cara da pessoa.
Mas aqui estamos nós. Fim de abril, exatamente um mês e meio após o anúncio no aniversário dele. Eu estou com quase dez semanas de gestação, e o Cael Sterling simplesmente perdeu o resto de juízo que ainda tinha.
- Eu só fiquei tonta porque me dobrei rápido demais para pegar o brinquedo do Duke! - protesto, cruzando os braços e tentando manter a expressão séria, embora o meu peito esteja aquecido por uma vontade incontrolável de rir. - Eu não estou doente, Cael. Eu estou grávida!
- Exatamente. E por estar grávida, a sua única função neste momento é respirar, se alimentar e ir para a faculdade dentro do carro que o motorista ligou lá fora - ele diz, pegando o meu casaco do cabideiro e abrindo-o com uma precisão cirúrgica. - Vira de costas.
- Eu sei colocar o casaco sozinha!
- Vira, Hannah.
Revolto os olhos, mas me viro. Cael passa as minhas mangas com extrema delicadeza, puxando o tecido macio sobre os meus ombros e fechando os botões um por um, como se eu fosse feita do cristal mais frágil do planeta.
Quando termina, as mãos grandes dele descem direto para a minha cintura, puxando as minhas costas contra o peito largo dele. Sinto o calor do corpo dele me envolver, e ele abaixa a cabeça, enterrando o nariz no vão do meu pescoço e soltando um suspiro pesado.
- Como está a náusea agora? - ele murmura contra a minha pele, a voz baixinha e cheia de uma preocupação crua.
- Passou, meu amor - respondo, amolecendo na hora. Viro o rosto para o lado, tocando a bochecha dele. - Eu juro que passou. Os enjoos do primeiro trimestre são assim mesmo, a Dra. disse que é totalmente normal.
- Normal para ela. Para mim é inaceitável ver você pálida - ele resmunga, e a palma da mão dele desliza devagar da minha cintura para repousar sobre o meu ventre.
Ainda não há um "bump" evidente para quem vê de fora, mas para o Cael - e para mim -, a região abaixo do umbigo já está ligeiramente mais firme, desenhando o início sutil da nossa sementinha.
- Se você sentir qualquer desconforto na aula, você me liga. Não é pra esperar a aula terminar. É para me ligar no primeiro minuto.
- Papai! Papai, olha! - a vozinha aguda do Theo ecoa pelo corredor, cortando a nossa bolha dramática.
Ele surge correndo pelo mármore, vestindo o uniforme da escola e trazendo nas mãos uma caixinha de suco de maçã e um pacote de biscoitos de polvilho que ele claramente surrupiou da despensa. Duke vem logo atrás, trotando com suas patas enormes e desengonçadas.
- O que é isso, Theo? - Cael pergunta, sem soltar a minha cintura.

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