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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 177

Narradora.

Os fracos raios de sol da manhã de Toronto, rasgavam as nuvens carregadas que haviam castigado a cidade durante toda a madrugada. A luz fria atravessava as altas janelas de vidro da mansão Sterling, desenhando sombras compridas sobre o chão de madeira nobre da sala de estar.

Hannah não havia dormido uma única hora.

Sentada na ponta do sofá italiano, ela mantinha as mãos cruzadas sobre o colo, os nós dos dedos brancos pela tensão contínua. Vestia um suéter simples de lã bege e calças jeans, os cabelos castanhos presos num coque frouxo e desalinhado. Os olhos esverdeados, cercados por olheiras fundas pelo cansaço e pela angústia, estavam fixos na tela preta do celular sobre a mesa de centro.

O silêncio da casa era opressivo.

Cada estalo do piso de madeira, cada sussurro do vento no jardim parecia um solavanco em seu peito. A última informação que recebera - horas atrás - fora que a equipe de Cael e Axel estava entrando na zona de sombra nas montanhas da Colômbia.

Ela mal havia tocado na sopa que Lilian havia preparado para ela, ambas as mulheres puderem Theo para dormir juntas, por que o pequeno queria que sua Naná ouvisse a história que sua avó estava contando.

Em algum momento nesse pequeno momento de paz antes tempestade, Hannah se perguntou internamente quando finalmente tudo seria daquela forma.

Mas algumas horas passaram, a madrugada foi longa, e a incerteza cortante de não saber se o homem que amava estava vivo, se a operação fora um fracasso ou se a promessa de resgatar a mãe que ela não via há vinte e três anos fora sepultada na lama de Bogotá. Quase se instalou em seu intimo, mas ela não desistiu, não podia desistir.

Às dez horas e quinze minutos da manhã, a tela do celular acendeu repentinamente, quebrando a penumbra com um brilho azulado. O aparelho vibrou sobre a madeira, o zumbido ecoando pela sala como um trovão.

Hannah projetou o corpo para a frente, a respiração presa na garganta. O visor exibia um número restrito e encriptado.

Com as mãos trêmulas a ponto de quase deixar o telefone cair, ela deslizou o ícone verde e levou o aparelho ao ouvido.

- Cael...? - a voz dela saiu num fio desesperado, rouco e entrecortado.

- Hannah. - A voz que respondeu do outro lado da linha não era a de Cael, mas o tom aveludado, grave e inconfundível de Kiara Voss.

O coração de Hannah disparou num ritmo frenético, martelando dolorosamente contra as costelas.

- Kiara... Por Deus, Kiara! Onde vocês estão? O que aconteceu? Por que demoraram tanto? O Cael... cadê o Cael?

Kiara fez uma pausa calculada de dois segundos - a pausa necessária para que a mente de Hannah absorvesse a gravidade do que viria a seguir.

- Respire, Hannah - instruiu Kiara, o tom frio e diplomático suavizando-se ligeiramente. - Nós estamos em Toronto. Desembarcamos na base privativa a poucas horas.

Hannah ergueu-se do sofá num salto, a mão livre cobrindo a boca enquanto uma onda de choque elétrico corria por suas veias.

- Toronto?! Vocês já estão aqui?! Como... como foi a operação? A minha mãe...

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