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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 174

Narradora.

Cael baixou imediatamente o cano da arma em direção ao solo, mantendo a postura firme, mas desprovida de qualquer ameaça. A respiração dele saía pesada, o peito subindo e descendo num ritmo acelerado enquanto a adrenalina lutava para mascarar a hemorragia que se acumulava sob a jaqueta preta.

- Adelaide Voss? - a voz dele ressoou grave, cortando o pavor instalado no cômodo.

Ela encolheu-se ainda mais contra a parede, cobrindo o peito com as mãos trêmulas, os olhos fixos na figura imponente do homem armado diante de si.

- Quem é você?... O que estacontecendo lá fora?...

Cael deu dois passos à frente, ajoelhando-se a uma distância segura para não assustá-la ainda mais, sustentando o olhar atônito da mulher.

- Eu estou aqui em nome da sua família - declarou Cael, com autoridade e uma gravidade absoluta. - O seu cativeiro acabou, Adelaide. Está na hora de voltar para seus irmãos, sua mãe... sua filha.

- Minha... filha...

As lágrimas transbordaram instantaneamente pelos olhos de Adelaide. Ela piscou devagar, assimilando o significado daquelas palavras como se ouvisse um idioma há muito esquecido.

- A minha... a minha família?... - ela murmurou, a voz quebrada em mil pedaços emocionais.

- A sua família - confirmou Cael, estendendo-lhe a mão enluvada. - Kiara está a aguardar-nos na base tática. Não há mais tempo. Precisamos sair agora.

Antes que Adelaide pudesse responder, o som de rajadas pesadas de fuzil irrompeu no corredor. A voz de Axel estalou no ponto elétrico do ouvido de Cael, saturada de ruído e urgência.

- Cael! A segunda leva de reforços do Hernandez acabou de furar o portão sul! O perímetro leste vai ruir em dois minutos! Retirada imediata, agora!

- Entendido - respondeu Cael pelo rádio.

Ele segurou o braço de Adelaide com firmeza e carinho, ajudando-a a levantar-se do chão. A mulher vacilou nos primeiros passos, enfraquecida pelos anos de confinamento, mas Cael envolveu-lhe a cintura com o braço direito, sustentando o peso dela sem demonstrar a menor fraqueza, enquanto mantinha a pistola engatilhada na mão esquerda.

- Pegue no meu ombro e não solte por nada - ordenou ele, conduzindo-a rapidamente para fora do quarto.

O retorno pelo corredor foi uma corrida contra o tempo. O ar estava saturado de fumaça cinzenta e cheiro de queimado.

Ao cruzarem a porta arrombada do anexo, o cenário no pátio interno era de caos absoluto. Corpos jaziam no chão de lama, enquanto Axel e os seus homens mantinham fogo de supressão constante contra os atiradores que agora estavam presentes no patio.

- Cobertura! - berrou Axel ao ver Cael surgir com Adelaide.

Seus homens lançaram duas granadas fumígenas no centro do pátio. Uma cortina densa de fumaça branca ergueu-se instantaneamente, bloqueando a visão dos mercenários do cartel.

Uma terceira granada foi lançada em direção aos homens de Hernandez, acarretando em uma explosão que fez os tiros cessarem por um momento.

Cael praticamente carregou Adelaide através da lama e dos escombros do muro leste, usando o próprio corpo como escudo balístico para proteger a mulher do tiroteio que cortava a névoa acima das suas cabeças.

O esforço físico exigido em cada passo começou a cobrar um preço caríssimo.

A visão de Cael turvou ligeiramente nas bordas, e um calor vertiginoso subiu-lhe pela espinha. Ele trincou os dentes com força, ignorando o gosto metálico de sangue que surgia no fundo da garganta, e continuou a avançar.

Ultrapassaram o portão que a essa altura ja estava escancarado e desceram a encosta íngreme da ravina.

A trezentos metros dali, numa clareira aberta no meio da vegetação, as pás do helicóptero de resgate enviado por Kiara já giravam a alta velocidade, cortando o ar da madrugada com um ruído ensurdecedor. Os holofotes da aeronave iluminavam a lama e a chuva fina que continuava a cair.

- Entrem! Entrem! - gritou o piloto pela escotilha aberta.

Axel e um dos operativos ajudaram Adelaide a subir primeiro, puxando-a para o interior seguro da cabine blindada.Logo em seguida, Cael apoiou as mãos na borda da porta do helicóptero para se erguer.

Foi no exato segundo em que o seu pé deixou o solo e a descarga bruta de adrenalina começou a estabilizar que o corpo dele cedeu.

Uma fraqueza avassaladora atingiu-lhe as pernas. Cael cambaleou para trás, as mãos escorregando do metal frio da aeronave. Axel reagiu com reflexos cirúrgicos, agarrando o amigo pelo colete tático e puxando-o com força para dentro da cabine antes que ele caísse na lama.

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