Narradora
Serena deu dois passos largos à frente, o salto alto estalando com fúria contra o mármore, apertando a haste da taça de cristal com tanta força que as pontas de seus dedos ficaram pálidas. Ela achou que assustaria Hannah, que a faria recuar para trás da proteção de Cael.
Ela não podia estar mais enganada.
Hannah sentiu o braço de Cael tentar segurá-la pela cintura de volta, sentiu a intenção dele de tomar a frente e resolver a situação, mas estendeu a mão com delicadeza e tocou o peito do noivo. Foi um gesto firme, um aviso silencioso de deixa comigo. Com calma extrema, Hannah se desvencilhou do toque dele e deu passos lentos e calculados para a frente, diminuindo a distância até parar a menos de um metro de Serena.
As duas se encararam olho no olho. A tensão era tão densa que era possível cortar com uma faca.
— Sua vadiazinha de quinta... — Serena sibilou, a voz tremendo de ódio, perdendo cada gota da postura elegante que tentou ostentar. — Você não passa de uma empregada miserável! Uma vadia qualquer que se deitou com o patrão pra sair da miséria e ter onde cair morta! Você acha mesmo que um anel de diamante e esse vestido caro te transformam em alguma coisa? Você é só um fetiche temporário pra suprir a carência do Cael enquanto eu não estava aqui!
Hannah nem sequer piscou. Ela manteve o rosto sereno, a cabeça erguida e um sorriso gélido de puro deboche rasgando seus lábios.
— É engraçado você falar em 'fetiche' e em Serena — Hannah respondeu, a voz perfeitamente audível para todo o salão —, quando todo mundo nesta sala sabe que a única coisa que você sabe fazer com excelência é ser marmita de vagabundo.
Um riso de escarnio escapou dos labios de Hannah, seus olhos verdes brilhando com uma diversão silenciosa.
— Mas vamos ser honestas flor, quando o assunto é fetiche você conhece bem o tema. Afinal de contas, não é atoa que aquela sua conta em um site adulto tem tantas visualizações... — um meio sorriso brinca nos laios de Hannah. — Conte-nos como anda a carreira de criadora de conteúdo erótico ? Não deve está indo bem, se você precisa sair do quinto dos infernos para vir atentar juizo alheio e correr atrás de homem comprometido.
O silencio que tomou conta do salão poderia facilmente ser cortado com uma faca enquanto as palavras de Hannah ecoavam como laminas. Ela deu mais um passo a frente, seu olhar firme, postura impecável encarando Serena de igual para igual, deixando claro que não tinha a menor intenção de recuar.
— O Cael não precisa de uma puta de quinta categoria, que abriria as pernas para o primeiro homem que lhe oferecesse dinheiro. Ele tem uma mulher de verdade ao lado. — Hannah avança mais um passo, mantendo apostura de quem não esta disposta a recuar. — Uma mulher com caráter, com dignidade, e que não vai deixar você foder com tudo outra vez. Ele não precisa de você Serena, see ele quisesse uma cadela sem valor na vida dele de novo, ele teria ido atrás de você no lixo onde você estava se humilhando.
— Cala essa boca, sua piranha! — Serena gritou, a veia do seu pescoço saltando enquanto a maquiagem impecável começava a parecer uma máscara prestes a ruir. — Você não é nada! Você é só a porra de uma empregada de quinta, paga para troca as fraldas do meu filho!
— Você não tem o direito de estar nessa casa, essa é a minha casa, minha familia. E eu não permito sua presença nessa casa por nenhum minuto a mais. — Serena ergueu o tom de voz, perdendo de uma vez por todas a pose de mulher intocável de minutos atrás.
— Vai embora Serena... você perdeu o direito de chamar essa familia de sua quando escolheu abandoná-los anos atrás.
As palavras de Hannah atingiriam algo dentro de Serena que ela não saberia explicar, ela sentiu o desespero crescer dentro de si. A situação não está se desenrolando como deveria, não era assim que deveria acontecer.
Ela havia planejado seu retorno por meses, ela tinha uma convicção genuína de que ao pisar naquele salão novamente apos quase quatro anos, ela seria recebida como uma rainha retornando a casa.
Em sua mente, Cael se livraria daquela empregada, se ajoelharia em sua frente e lhe imploraria para que ela voltasse.
Era assim, que deveria ser, era assim que ela havia planejado. Mas ao invés disso, la estava ela, sendo humilhada em frente a todos os convidados por aquela que ela considerava inferior.
Desesperada para retomar o controle da situação, a loira tentou desviar de Hannah, dando um passo largo para a lateral. Seus olhos maldosos se fixaram em Theo, que estava a poucos metros dali, agarrado às pernas de Mia e assustado com o tom de voz da mulher.
— Eu não tenho tempo para suas acusações vazias, estou aqui por meu filho e somente por ele. Theo! Vem cá com a mamãe! — Serena exclamou, tentando avançar na direção do menino para bancar a vítima e usar a criança como escudo moral.
Mas Hannah foi mais rápida.


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