Hannah Brooks.
Meus olhos se voltam para Cael em meio às gargalhadas ruidosas dos convidados, e observo cada detalhe da sua reação ao ver o filhote desengonçado se atirar sobre o Theo. Ele está estático: os olhos azuis arregalados, o maxilar sutilmente contraído e aquele ar impagável de quem já está calculando mentalmente o tamanho do estrago que aqueles dois vão causar juntos nesta mansão.
Ele desvia o olhar da cena e seus olhos encontram os meus. Cael me encara com um desespero quase cômico, como se estivesse implorando por socorro em meio ao caos. Eu apenas dou um sorriso de lado, sem mover um dedo. Afinal de contas, quem sou eu para interferir em um presente que os próprios pais dele deram ao neto?
Ele balança a cabeça em sinal negativo, deixando um meio sorriso inevitável escapar nos lábios. Em seguida, para a minha total surpresa, ele começa a caminhar decididamente em minha direção. Sinto meus olhos se arregalarem no mesmo instante, enquanto um leve desespero ganha força no meu peito.
— O que você está fazendo? — murmuro para mim mesma, torcendo para que ele me ignore e siga reto.
É claro que ele não me ignora.
Percebo o exato momento em que boa parte dos convidados interrompe suas conversas para segui-lo com o olhar. As atenções se voltam para nós dois de forma descarada e curiosa enquanto Cael para bem na minha frente. Ele segura minha mão com delicadeza e deposita um beijo lento e sutil no dorso dos meus dedos.
Sinto o peso sufocante de dezenas de pares de olhos cravados em nós, e uma onda desconfortável de timidez ameaça me dominar. No entanto, Cael ergue a outra mão e toca meu rosto com a ponta dos dedos — um gesto caloroso e protetor que faz todo o barulho e a ansiedade ao redor simplesmente desaparecerem.
— O que você pensa que tá fazendo? — pergunto em um tom quase inaudível, encarando seus olhos azuis, que devolvem o olhar com uma intensidade avassaladora.
— Exibindo para quem quiser observar a mulher mais linda do mundo... e a dona absoluta dos meus pensamentos — ele responde, com o tom suave ecoando só para mim.
Eu não consigo conter o sorriso. Cael estende a mão em minha direção e eu a aceito sem hesitar. Ele me guia a passos tranquilos até o centro do salão, exatamente onde esteve há pouco para o discurso. A multidão ao redor abre espaço em um silêncio carregado de expectativa, com aquela curiosidade mal disfarçada de quem está desesperado pelas últimas fofocas antes que cheguem às capas dos tabloides sensacionalistas.
Sinto minhas bochechas queimarem diante de tantos olhares atentos. Contudo, o aperto firme e seguro da mão de Cael sobre a minha me dá a força necessária para manter os ombros erguidos e a cabeça erguida.
Ele limpa a garganta suavemente, a voz projetando-se com autoridade pelo ambiente:
— Nos últimos meses, diversas manchetes sensacionalistas tomaram conta das páginas de fofoca e portais de notícias de todo o país. Repercussões completamente infundadas surgiram sobre quem seria a mulher misteriosa vista comigo em uma fotografia tirada há algum tempo. Algumas páginas chegaram ao absurdo de anunciar erroneamente uma possível reconciliação minha com Hailey Donovan, jurando de pé junto que era ela a pessoa da foto.
Cael faz uma pausa estratégica, varrendo todo o salão com seu olhar firme e imponente.
— O que já foi mais do que confirmado ser uma mentira deslavada há muito tempo — a firmeza cirúrgica na voz dele silencia imediatamente os pequenos burburinhos que começavam a surgir nos cantos. — Há alguns meses, uma mulher extraordinária entrou na minha vida da forma mais inusitada e caótica possível. Em questão de pouco tempo, ela conseguiu ocupar um espaço que estava completamente vazio há anos.
Ele se vira de lado, ficando de frente para mim. Seus olhos azuis, carregados de uma emoção profundamente contida, fixam-se nos meus.
— A senhorita Brooks virou a minha vida de ponta-cabeça. Ela me fez mudar hábitos engessados e rotinas inflexíveis, me ajudou a reconstruir a comunicação com o meu filho e, muito mais do que isso, esteve ao meu lado nos meus piores momentos... mostrando-me todos os dias que seria capaz de amar um homem quebrado como eu.
— Cael... — minha voz escapa em um sussurro embargado, a garganta fechando pela emoção.
— Essa mulher me tira do sério diariamente. Ela consegue ser incrivelmente mandona e mimada ao mesmo tempo em que é a pessoa mais carinhosa, generosa e amorosa deste mundo — ele faz uma breve pausa, enquanto um sorriso de canto irresistível desponta em seus lábios. — E ela também me fez descobrir uma nova cor favorita no mundo... porque o azul-marinho fica simplesmente espetacular em contato com a pele dela.
— Cael Sterling! — as palavras escapam da minha boca quase em um sobressalto de espanto misturado com puro choque.
Porque, por mais que os convidados elegantes no salão não façam a menor ideia do significado íntimo por trás daquela cor, eu sei exatamente ao que ele está se referindo. Sinto meu rosto ganhar uma nova e intensa camada de vermelho a cada palavra provocativa dele.
— Eu adoro como ela fica terrivelmente vermelha quando está com vergonha... parece um moranguinho — ele acrescenta, rindo fraco e olhando para o público. — A minha garota é perfeita. É por isso que tomei uma das decisões mais importantes da minha vida. Eu não quero mais que existam maus-entendidos ou fofocas maldosas que possam tentar abalar o nosso relacionamento. Eu amo essa mulher com todas as forças do meu ser, mesmo que, às vezes, ela me ameaçe fazer dormir no canil.
O salão inteiro explode em gargalhadas ruidosas novamente. Levanto a mão até o rosto, cobrindo a boca na tentativa em vão de reprimir o riso que transborda junto com as lágrimas nos meus olhos.
— Eu nunca te fiz dormir no canil, seu bobo! — protesto, sem conseguir parar de sorrir.
— Ainda não, amor... mas para tudo existe uma primeira vez — ele dá de ombros de um jeito descontraído, e eu simplesmente gargalho alto de toda aquela cena surreal.
Nunca, em toda a minha vida, imaginei ver Cael Sterling — o homem que até meses atrás era o ápice da arrogância, do rigor e da formalidade — fazendo piadas e arrancando risos da plateia como se estivesse em um show de stand-up.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá do Magnata de Gelo