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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 149

Cael Sterling.

É claro que eu não a levaria ao shopping apenas para comprar um aparelho celular. Depois de uma manhã exaustiva como a que tínhamos enfrentado, Hannah merecia, no mínimo, algo que fizesse aquelas safiras esverdeadas que ela carrega nos olhos brilharem com uma mistura genuína de admiração e felicidade.

Ela insistiu em trazer os garotos. Por isso, Theo e Henry vieram conosco, aproveitando os últimos dias de férias antes que a rotina escolar os tragasse em duas semanas.

Compramos o celular em uma dessas lojas de eletrônicos de última geração. Garanti que o pacote fosse completo: capas, película, fones e cada pequeno acessório que ela apontava. O que ela não pedia, eu tratava de incluir no carrinho mesmo assim. Afinal, que tipo de homem eu seria se não mimasse a minha mulher?

Saímos de lá com Hannah segurando a sacola do aparelho e fomos sumariamente arrastados por Theo e Henry até um corredor pelo qual tínhamos passado minutos antes. Os dois haviam memorizado o trajeto com uma precisão cirúrgica. O destino? Uma área repleta daquelas miniaturas motorizadas - carros e motos elétricas infantis alugados por hora.

E foi assim que acabei promovido a fiscal de trânsito de duas máquinas descontroladas que decidiram, por conta própria, tocar o terror nos corredores do Shopping. Ou melhor, fui promovido a corredor profissional.

Passei longos minutos desviando de pedestres, correndo atrás de dois pilotos mirins e tentando interceptá-los antes que um desastre acontecesse, enquanto Hannah permanecia confortavelmente recuada em um canto, rindo descaradamente da minha desgraça e saboreando um sorvete de chocolate.

Foi caótico. Na melhor das hipóteses.

Devolvemos os veículos antes que a administração do shopping me apresentasse uma conta por destruição de patrimônio público.

Em seguida, percorremos mais algumas lojas. Compramos brinquedos para as crianças - incluindo duas espadas de plástico, porque Hannah argumentou com convicção de que eles seriam "bravos guerreiros".

O verdadeiro guerreiro nessa história serei eu, tentando manter a sanidade e evitar um colapso quando Theo inevitavelmente quebrar algum vaso caríssimo dentro de casa com aquilo.

Hannah aproveitou para renovar algumas peças do próprio guarda-roupa. Selecionou roupas e sapatos, e eu imediatamente solicitei que tudo fosse entregue direto na mansão, poupando-nos de carregar sacolas desnecessárias.

Em contrapartida, ela me arrastou para a seção masculina e me fez comprar roupas para mim: camisas mais leves, calças casuais, bermudas... "roupas mais despojadas", segundo o vocabulário dela. Algo que não pretendo usar sob hipótese alguma, mas que, por prudência, preferi não comentar naquele momento.

Entramos no cinema para assistir a uma animação extremamente irritante - ao menos para o meu gosto, já que minhas companhias pareciam se divertir imensamente. Em algum momento entre a pipoca e as luzes apagadas, perdi a atenção da minha mulher para o meu filho e meu afilhado, que se apossaram dela sem o menor pudor.

Agora, os ponteiros do relógio marcam exatas 17h38.

Estamos acomodados na praça de alimentação. Theo e Henry ostentam metade do rosto manchada de vermelho, cortesia da quantidade absurda de ketchup que despejaram sobre os nuggets de frango.

Minha mulher, ignorando qualquer conceito de dieta balanceada, devora com entusiasmo um hambúrguer que parece visivelmente maior do que a própria cabeça dela, enquanto eu me contento em dar pequenos goles em um suco natural.

Mesmo após as insistências dela para que eu pedisse "algo realmente comestível" - palavras textuais de senhorita Brooks -, mantive minha escolha. Olhando para a facilidade com que ela finaliza aquele lanche, eu me pergunto, sinceramente, para onde vai tanta comida em um corpo tão pequeno.

- Eu sabia que o gosto disso era horrível - a voz de Hannah ecoa ao meu lado, tirando-me dos meus pensamentos. Ela me encara com aquele olhar travesso que conheço bem. - Você está exatamente com aquela cara de quem está repensando todas as escolhas de vida no meio de uma refeição.

- Não é ruim, é saudável - respondo calmamente, fixando meu olhar naqueles olhos verdes que parecem adquirir uma vivacidade ainda maior quando ela sorri. - E você fica linda sorrindo...

Estendo a mão, tocando a curva macia do seu rosto com a ponta dos dedos. Hannah fecha os olhos por um segundo, inclinando-se levemente contra o meu toque, mantendo o sorriso nos lábios.

- Eu sou o homem mais sortudo do mundo - sussurro, aproximando-me o suficiente para sentir o calor de sua pele e roçar meus lábios nos dela. - Se alguém me dissesse, há um tempo atrás, que um dia eu estaria apaixonado de novo... eu provavelmente chamaria essa pessoa de louca.

Reduzo a pouca distância que nos separa. Meus lábios encontram os dela em um beijo suave, calmo, carregado de um sentimento denso e profundo que ainda me custa traduzir em palavras. Porque a verdade é que dificilmente saberei nomear com precisão tudo o que ela desperta em mim.

- Ecaaaaaaaaa!

O coro de vozes infantis explode ao nosso lado, quebrando a atmosfera instantaneamente. Interrompemos o beijo e nos afastamos. Hannah perde o controle e cai na gargalhada diante das feições de puro desgosto estampadas nos rostos dos dois pequenos agentes do caos à nossa frente.

- Papai... não pode - Theo toma a palavra, balançando o indicador minúsculo em um gesto solene de reprovação. - Não pode beijar a Naná. Não pode.

- É, tio Cael... não pode fazer isso. É feio - Henry arremata, adotando um tom de voz dotado de uma maturidade completamente desproporcional à sua idade.

- O Cael não fez nada de errado, meninos - Hannah intervém, assumindo aquele tom de paciência cirúrgica que costuma usar com eles. - Os adultos se beijam quando gostam muito um do outro.

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