KALEL
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Voltar a trabalhar foi uma das coisas mais difíceis que eu tive que fazer nos últimos tempos, eu estava com uma intensa sensação de perda, era como se nada mais fizesse sentindo.
Eu sabia que estava velho demais pra sofrer por amor, eu estava parecendo um adolescente inconformado com o fim do relacionamento.
Eu sempre amei o meu trabalho, mas trabalhar fodido mentalmente não era bom pra ninguém.
Três meses se passaram e a dor não pareceu menor, muito pelo contrário, ela ia se intensificando sem controle nenhum, eu sabia que a única forma de cessar essa dor, era indo atrás da Sofia.
Por diversas vezes eu fiquei olhando pro número dela, mas tive medo da reação dela ao ouvir minha voz, a forma como eu a deixei pra trás no dia quando tudo veio a tona, foi covardia da minha parte e cruel, eu não liguei pros sentimentos dela, eu estava pensando apenas em mim, e o arrependimento veio alguns dias depois.
A minha filha me visitou por várias vezes, e falou que estava tentando falar com a Sofia, mas ela bloqueou todos os números que ela tentou usar pra falar com ela, disse também que foi na casa dela e a mãe dela falou que ela viajou, mas a própria mãe não sabia pra onde ela tinha ido.
Eu preferi me conformar com a realidade de que ela não queria ser encontrada, mas a Valentina continuou procurando ela e tentando encontrar vestígios de onde ela estava.
A verdade era que tudo parecia ir contra o meu desejo de ficar com ela, não existia nenhum caminho que me levasse ao encontro da Sofia.
No início eu tentei acreditar que conseguiria dar esse assunto por encerrado, eu realmente achei que ficando sozinho, que colocando a cabeça no lugar eu iria conseguir seguir a minha vida como se a Sofia nunca tivesse existido, mas ela existia e estava bem viva dentro de mim.
No quarto mês eu já tinha perdido totalmente a esperança de rever a Sofia,
era um dia normal de trabalho quando a minha filha me ligou.
— Oi meu amor, o que houve?
Perguntei preocupado, pois a minha filha dificilmente me ligava em horário de trabalho.
Valentina: Pai, eu acho que sei onde a Sofia está.
Eu levantei da cadeira sentindo o meu coração perder algumas batidas, eu fiquei tão atordoado que nem prestei atenção quando a paciente apareceu na porta do consultório.
Paciente: Doutor? Posso entrar?
Eu olhei pra ela asustado como se a minha alma estivesse acabado de voltar pro corpo.
— Aguarda cinco minutos por favor, eu já chamo você.
Paciente: Tudo bem.
A paciente se retirou e eu voltei toda a minha atenção pra minha filha.
— Me explica isso direito minha filha, onde ela está? Como você descobriu?
Valentina: Ela acabou de publicar uma foto, e provavelmente ela deve ter esquecido de desativar a localização, apareceu aqui que a foto foi tirada em Canela.
— Canela? No Rio Grande do Sul?

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