SOFIA
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Três meses se passaram, e eu fiz a minha primeira ultrassom, eu estava sendo acompanhada por um médico particular em Portugal, mas o meu prazo de permanência no país acabou e eu tive que voltar para o Brasil.
Eu passei longos três meses pesquisando um local pra morar, um lugar onde eu não fosse reconhecida por ninguém, um lugar onde eu não corresse o risco de esbarrar com a Valentina e nem com o Kalel.
Eu não tinha intenção nenhuma em voltar pra casa dos meus pais, eles não mereciam ter o amor do meu filho, eu ainda não sabia o sexo da criança, mas eu sentia que era um menino.
Eu chorei muito durante esses primeiros meses, por diversas vezes eu me senti sozinha, e com muito medo de não ser capaz de criar uma criança, não por falta de condições financeiras, isso eu tinha, afinal eu economizei muito dinheiro, o suficiente pra nos mantermos por alguns anos, e o meu pai continuava mandando uma mesada gorda pra mim, mas também era só isso que ele me dava, eu tinha medo de não ser uma boa mãe.
Durante o tempo que passei em Portugal, meu pai nunca fez nenhuma ligação pra saber se eu estava viva, a minha mãe mandou mensagem duas vezes pra mostrar o carro novo e o silicone dos peitos.
Isso tudo só fortaleceu ainda mais a minha decisão de ficar longe deles, um dia eles dariam falta de mim, um dia eles iriam perceber que se passaram muitos anos, e não irão me encontrar.
Eu vi em um anuncio uma casa a venda dentro de um condomínio que ficava em Canela, no Rio Grande do Sul, a casa custava 850 mil reais, e o condomínio era apenas 300 mensais.
A casa possuía 100 metros quadrados, tinha dois quartos, duas vagas de carro, e um gramado lindo ao redor da casa.
Era a casa perfeita em um lugar perfeito.
Eu tinha esse dinheiro na conta e um pouco mais, e se o meu pai continuasse mandando dinheiro, eu não iria sentir tanto esse valor sendo retirado da minha conta, afinal era um investimento.
Eu fui pro Sul e fui conhecer a casa de perto, tudo era muito lindo, não era uma mansão como a casa dos meus pais, mas era um lugar acolhedor, um lugar que me trazia um sentimento de paz.
Corretor: Nós temos lugares mais baratos se você preferir.
Eu não gostei do corretor, a começar pela cara que ele fez assim que me viu, apesar de eu estar muito bem vestida, ele provavelmente me achou nova demais pra ter dinheiro o suficiente pra comprar a casa.
— Dinheiro não é problema senhor, eu gostei da casa, eu vou ficar com ela.
Eu o encarei, e ele ficou todo sem graça, mas deu um sorriso quando lembrou da excelente comissão que certamente ele ganharia com a venda da casa.
Passamos o dia nos trâmites legais, fomos no cartório, e deu tudo certo, eu oficialmente tinha uma casa.
Eu fui pra um hotel em gramado, afinal não existia nada na casa pra mim morar, e ela precisava ainda de uma bela pintura, então fui comer e depois fui dormir e deixei pra resolver tudo no dia seguinte.
Os enjoos haviam passado, mas eu sofri muito no primeiro mês, a Valentina tentou contato comigo por vários outros números, e eu tive que bloquear todos, ela queria saber de mim, falou que tinha coisas pra conversar comigo sobre o Kalel, mas só em pensar nele, as lágrimas já caíam, eu não queria mais sofrer, eu estava tentando matar o Kalel dentro de mim dia após dia.

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