SOFIA
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Sabe aqueles momentos em que você está tentando nadar contra a correnteza mas não consegue, pois ela é mais forte que você?
Assim eu estava me sentindo, lutando contra sentimentos e situações que eram mais fortes do que eu.
Eu acreditava que com o tempo, tudo iria criar forma, eu iria me habituar com o meu destino, e iria aprender a fazer melhores escolhas, eu ainda tinha dúvidas se as escolhas que eu estava fazendo, seria o melhor pra mim e principalmente pro meu filho, mas eu sabia bem lá no fundo que não se tratava só de escolhas, sobre o que era certo ou errado, mas se tratava do meu medo, que constantemente gritava dentro de mim, o medo de tudo dar errado, medo do meu filho ser rejeitado pelo pai.
Eu estava tentando evoluir como ser humano, coloquei na cabeça que a minha idade não me definia, e que no mundo existiam mães muito mais novas do que eu, e que estavam conseguindo dar conta e que eu também daria.
Já estava no fim da tarde, e eu não podia viver a vida comprando comida, o meu filho merecia uma mãe completa.
Eu nunca havia feito comida na vida, nunca havia ligado um fogão, não sabia nem fritar um ovo, mas eu estava disposta a aprender, e foi nesse pensamento de aprender, que eu decidi sair e ir no mercado fazer as compras dos mantimentos da casa, mas essa decisão me custou caro demais.
Eu ainda não havia comprado um carro pra mim, e eu precisava de um, mas enquanto eu não tinha, eu fui caminhando.
Assim que eu passei o portão do condomínio, eu vi um carro parado a poucos metros de distância da entrada, os vidros eram escuros, e não dava pra ver se existia alguém lá dentro.
O lugar era proibido pra estacionar, mas eu não fui falar sobre isso com alguém que claramente sabia o que estava fazendo.
Eu passei pelo carro e dei alguns passos adiante, foi então que eu ouvi o som da porta abrindo.
Quando eu olhei pra trás, quase desmaiei de nervosismo enquanto eu olhava pra figura que estava me encarando.
A primeira coisa que fiz foi levar as minhas mãos até a minha barriga, era como se esse simples gesto demonstrasse pro meu filho que eu estava o protegendo.
Eu quase não acreditei quando vi a Valentina diante de mim.
— O que você está fazendo aqui? Como você me encontrou?
Ela olhou pra minha barriga como se não tivesse acreditando no que estava vendo.
Ela fechou a porta do carro, e caminhou lentamente até onde eu estava e me encarou com os olhos marejados de lágrimas.
Valentina: Esse filho é do meu pai?
Ela foi bem direta na pergunta, e eu sabia que ela não iria me deixar em paz enquanto eu não a respondesse.

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