KALEL
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Eu saí do quarto da minha filha com os ombros descansados, eu senti uma sensação de liberdade depois de passar muito tempo preso.
A prisão da mentira é uma tortura, pois a sua mente não te deixa descansar, ela te acusa e te faz perder a noção do certo e do errado.
A minha mente estava liberta, mas o meu coração, esse ainda estava preso no imenso amor que eu sentia pela Sofia.
A minha filha falou sobre sacrifício, mas não seria essa a função de um pai? Não seria certo colocar a felicidade dela acima da minha? Não foi essa a missão que a mãe dela deixou pra mim?
Sempre tive medo de falhar em meu papel, mas tenho ainda mais medo de ter uma vida infeliz, e quando penso em infelicidade, imagino uma vida sem um amor, e também uma vida sem minha filha, eu poderia encontrar o amor em qualquer pessoa, mas eu só tinha uma filha, e ela era insubstituível.
Eu fui pro meu quarto e comecei a organizar minhas coisas pra me mudar, eu não precisava fazer isso, mas eu queria, era hora de deixar a minha filha crescer e se aventurar nessa coisa grandiosa que eu chamo de vida, e também já era hora de eu cuidar de mim.
Eu desci pra almoçar e a Valentina já estava presente, o rosto dela ainda estava vermelho pelo choro, mas aparentemente ela estava melhor.
Ela olhou pra mim e deu um leve sorriso, e eu me dei conta que a conversa que tivemos foi um ponto decisivo no perdão dela, ela não precisou abrir a boca pra dizer que me perdoava, o olhar doce dela me disse que sim.
Marlon: Finalmente, dessa vez não vou fazer minha refeição sozinho.
— Você tocou em um ponto importante Marlon.
Ele e minha filha olharam pra mim atentos.
— Eu estarei me mudando hoje pro meu apartamento, e se você quiser você pode ficar nessa casa com a Valentina.
Valentina: Não papai, você não precisa sair daqui, por favor não vai.
— Eu preciso ir minha filha, a minha cabeça anda muito bagunçada e eu preciso olhar pra minha vida com mais responsabilidade, assim também como você precisa também ter mais responsabilidades. A situação dessa casa não foi exatamente como você acreditou ser, quando os seus avós morreram eles deixaram essa casa pra sua mãe sim, mas também deixaram dívidas, a casa estava hipotecada, com algumas parcelas atrasadas, e eu quitei todas as dívidas antes que fosse a leilão, o dinheiro que a sua mãe deixou não foi da herança, e sim do seguro de vida dos seus avós que ela fez questão de guardar, e quando soubemos que ela estava grávida de você, ela disse que manteria esse dinheiro guardado pros seus estudos, ela poderia ter usado o dinheiro do seguro pra pagar a hipoteca, mas o seguro demorou a sair,
o seu tio deve saber disso, pois ele recebeu parte desse dinheiro.
Marlon: Isso é verdade, mas eu não sabia da hipoteca da casa.
Valentina: E porquê você não me falou nada quando eu passei na sua cara que isso tudo era meu?
— Porquê você tinha razão, isso tudo é realmente seu, eu e sua mãe decidimos colocar tudo em seu nome, eu só estava esperando você completar 18 anos.

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