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Zoé Santos:A Fênix de Cidade R romance Capítulo 91

Bento Passos levantou o queixo, sinalizando para o outro lado.

Por trás da pilha de presentes sobre a mesa, Zoé Santos estava deitada no sofá comprido, o rosto coberto pelo uniforme do colégio e uma perna longa pendendo despreocupadamente para fora.

Sua respiração era serena.

Pedro Soares olhou primeiro para aquele grupo de estudantes do ensino médio, recém-libertos das aulas e já se comportando como potros soltos, depois para o outro lado, onde um bando de jovens jogava cartas e gritava como se fossem macacos em festa.

— Com esse barulho, ela consegue dormir? — Pedro Soares perguntou, claramente intrigado.

Encostado no sofá, com as pernas longas esticadas, Bento Passos segurava as cartas e respondeu:

— Zoé gosta desse tipo de ambiente para dormir.

Um brilho sutil passou pelo olhar profundo de Henrique Farias, que então caminhou em direção a Zoé Santos.

Erick Rocha lançou olhares disfarçados para ambos, e se inclinou para sussurrar a Bento Passos:

— Esses dois também são amigos da Zoé?

A aparência deles… Era tamanha a beleza que ofuscava até mesmo os rapazes mais bonitos do grupo.

Principalmente o mais alto. Seu rosto transpirava uma autoridade impressionante!

Fernando Duarte e Miguel Peixoto também estavam curiosos.

Aqueles dois homens claramente não pareciam pertencer ao mesmo círculo dos estudantes do ensino médio.

O carisma deles era avassalador.

Diferente da aura fria, agressiva e cortante de Zoé Santos, os dois exalavam uma elegância reservada de quem está acostumado ao poder e à riqueza, uma sofisticação própria dos grandes líderes.

— Trunfo! — gritou Kauê de repente.

Empolgado, ergueu-se com o rosto coberto de papéis, batendo com as duas mãos nas testas de Erick Rocha e Miguel Peixoto, um de cada lado.

Com ar de superioridade, disse:

— Levantar a mão não é pedir desculpa, é sinal de que vocês dois ainda têm muito o que aprender!

Logo depois, um papel foi também para a testa de Bento Passos.

Kauê riu:

— Obrigado pela partida, Sr. Bento!

Miguel Peixoto, que até então se perguntava como Zoé Santos, ainda estudante do ensino médio e vinda de Aldeia N, poderia ter ligação com adultos como Henrique Farias e Pedro Soares, viu Kauê com o rosto coberto de papéis, rindo como um vilão por ter ganhado uma rodada…

E então, percebeu que nada mais lhe surpreendia.

Afinal, ele mesmo, craque dos estudos da melhor escola de Cidade H, estava ali sentado lado a lado com os bagunceiros de Lumiar, jogando cartas como velhos camaradas. Nada poderia ser mais surreal.

Henrique Farias sorriu, olhando para ela:

— Não disse que não vou te dar. Por que esse silêncio todo?

O rosto de Zoé, belo a ponto de impressionar, parecia ainda menor sob a sombra da mão de Henrique.

Na penumbra do bar, a pele clara dela parecia ainda mais delicada e luminosa.

Os dois se encaravam pelo espaço criado entre o uniforme e a mão dele.

Era uma cena estranha, quase clandestina.

Zoé franziu as sobrancelhas e, sem hesitar, tirou de vez o uniforme do rosto e se sentou.

Diante dela, um estojo aveludado preto, já aberto.

No interior, um relógio mecânico personalizado modelo Black Warrior, com caixa de titânio, mostrador sofisticado, funções de hora, calendário perpétuo, fases da lua…

Todo em preto fosco, transmitia uma frieza elegante.

O relógio era de uma marca de prestígio, e o presidente da PE do Brasil havia voado na tarde anterior da Capital até Cidade R apenas para entregá-lo pessoalmente.

Naquele instante, Pedro Soares mal conseguia conter a vontade de perguntar algo a Zoé Santos.

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