As pernas longas de Zoé Santos entraram na sala de aula sem pressa nem presságio.
Durante toda aquela tarde.
Zoé Santos dormiu bem, ouvindo a voz do professor durante a aula e, nos intervalos, o burburinho animado dos alunos. Só acordou de verdade quando Renata Senna cutucou seu braço de repente para que ela olhasse pela janela. Num relance, seus olhos cruzaram com o olhar especialmente gentil e encorajador de Serena Almeida, parada junto à janela. Se não fosse por isso, talvez tivesse continuado largada na cadeira, preguiçosa, apenas observando o quadro negro.
A Profa. Almeida demonstrava um cuidado especial por ela.
Dormiu até ouvir o sinal anunciando o fim das aulas.
Lá fora, o céu já estava completamente escuro.
Em Cidade R, a noite caía muito mais cedo do que em Aldeia N.
— Vamos. — Zoé Santos pegou a mochila preta pendurada nas costas da cadeira, cumprimentou Renata Senna rapidamente e saiu da sala.
Assim que saiu da escola, Zoé tirou o casaco do uniforme e o enfiou na mochila.
O carro da família Santos estava estacionado em uma das primeiras vagas.
Talita Santos, sentada dentro do carro, chamou-a com um sorriso caloroso:
— Zoé, estou aqui.
O motorista abriu respeitosamente a porta do outro lado:
— Srta. Zoé, por favor, entre no carro.
— Não precisa, tenho algo a resolver. — respondeu a jovem, com voz distante.
Colocou o boné, ajeitou a máscara no rosto.
Foi até a calçada e acenou para um táxi, abrindo a porta e entrando rapidamente.
— E aí, para onde vamos, moça? — perguntou o motorista, olhando pelo retrovisor.
— Bairro Oculto.
O motorista virou-se imediatamente, visivelmente surpreso:
— Você é aluna do Lumiar, não é? Sabe que tipo de lugar é o Bairro Oculto?
Motorista de táxi costuma saber das novidades da cidade, e, claro, tinha ouvido falar daquele bairro.
Cidade H era conhecida por seus bons alunos; ninguém de lá costumava se meter em lugares problemáticos.
Zoé Santos recostou-se preguiçosamente no banco e levantou o olhar, sem responder à pergunta.
Apenas disse:
Já era tarde; se o senhor e a senhora soubessem que Zoé tinha saído de novo depois da aula, certamente ficariam furiosos.
Até mesmo o velho senhor, sempre tão paciente e gentil com ela, provavelmente ficaria decepcionado.
— Zoé é uma pessoa independente, não temos direito de limitar sua liberdade. — Talita Santos apertou o botão para fechar a janela do carro. — Vamos para casa.
De volta à casa da família Santos.
Na noite anterior, Tomás Santos tinha acompanhado pessoalmente Talita, preocupado que ela sofresse algum tipo de constrangimento. Após se certificar de que sua posição em casa não estava ameaçada por Zoé, voltou à Cidade Capital pela manhã.
Sr. José, Rubens Santos, Patrícia Lacerda e Thiago Santos estavam todos sentados na sala de estar.
Ao ver Talita entrar, todos sorriram amplamente.
— Talita, foi graças a você que Zoé entrou na Cidade H. — Sr. José falou pessoalmente, olhando para ela com evidente orgulho e satisfação.
Talita sentiu que, por ter ajudado Zoé a entrar em Cidade H, sua importância na família havia aumentado.
Ela sorriu discretamente, com gentileza e elegância:
— Era o mínimo que eu poderia fazer, vovô. Zoé cresceu em circunstâncias difíceis, só quero ajudá-la um pouco mais.
Mas, ao terminar a frase, sua expressão mudou, como se quisesse dizer algo mais, mas hesitasse...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...