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Zoé Santos:A Fênix de Cidade R romance Capítulo 53

Meu Deus, que raro!

Era justamente o cio!

Pedro Soares não podia perder essa agitação por nada.

Saiu imediatamente do fundo, acenando calorosamente para Zoé Santos.

— Oi, irmãzinha.

Zoé Santos lançou-lhe um olhar contido, assentiu educadamente e continuou a conferir cada caixinha de remédio.

Henrique Farias tocou uma das caixas.

Além do costumeiro aroma de remédios, sentiu nos dedos um leve perfume amadeirado, misturado a um toque sutil de sândalo frio, fresco e agradável.

Na noite anterior, quando ela veio buscar os remédios, foi esse tal de Sr. Henrique quem a recebeu; o cheiro diferente na farmácia era dele.

Pedro Soares percebeu que, desde que ninguém se atrevesse a ser inconveniente diante daquele anjo da morte, ela era só uma irmãzinha educada, de postura fria e tranquila.

Mas, vendo o quanto ela era minuciosa na verificação...

Pedro Soares pensou consigo, admirado: que garota desconfiada, hein.

— Irmãzinha, não se assuste à toa, confie no profissionalismo do seu irmãozinho aqui. — Pedro Soares bateu no próprio peito. — Qualidade garantida!

Zoé Santos terminou de checar tudo, fechou a pequena caixa de madeira e apoiou o pulso sobre ela com desleixo.

Seus olhos frios e profundos se levantaram, e os longos dedos alvos tamborilaram levemente.

— É só um negócio. Falar de consciência é exagero, não acha? — A voz dela era cortante, quase desdenhosa, e havia um quê de provocação despreocupada. — Nós não somos tão próximos assim.

Atitude insolente, livre.

Henrique Farias arqueou uma sobrancelha, olhos negros semicerrados, sem saber ao certo onde mirava, o queixo erguido em direção a Zoé Santos.

— Pequena colega, seu segredo está escapando.

Zoé Santos acompanhou o olhar dele para baixo e notou o bordado na própria calça.

O uniforme do Colégio Cidade H era comum, nada demais.

A única diferença era o brasão bordado próximo ao bolso esquerdo da calça.

Ao levantar o braço, a barra da camiseta preta subiu um pouco, revelando o emblema.

Pedro Soares esticou o pescoço para ver melhor.

— Caramba! Você está estudando no Cidade H?

— Foi o Roberto Pereira que te colocou lá?

— Que relação você tem com ele, hein?

E ainda deixava ele entender o motivo da própria morte...

— N-n-não, calma, chefe... — Ele se escondeu atrás de Henrique Farias, apavorado. — Henrique, me salva!

Henrique Farias lançou um olhar indiferente para Pedro Soares, depois se afastou meio passo para o lado.

Deixou Pedro Soares totalmente exposto, rosto amedrontado, olhos marejados.

Henrique Farias fez um gesto para Zoé Santos, como quem diz: fique à vontade, e continuou a observar a cena com preguiça divertida.

Pedro Soares, à beira do desespero, olhava para Henrique Farias, que não se importava com sua sorte, depois para Zoé Santos, pronta para matá-lo.

De repente, ele bateu a cabeça no balcão, juntou as mãos acima da cabeça e quase se ajoelhou.

— Irmã! Tenho pais idosos num asilo, filhos pequenos na creche, eu não posso morrer! Fiquei de plantão de madrugada só pra terminar seus remédios, mesmo sem mérito, tenho o esforço, mesmo sem esforço, tenho o cansaço, não pode me descartar assim! Prometo que não conto nada do que souber...

Zoé Santos arqueou a sobrancelha e olhou para Henrique Farias.

— Quando foi que a família Soares faliu?

Como é que o Sr. Pedro da família Soares, acostumado ao luxo, foi cair nessa vida de sofrimento?

Henrique Farias, uma mão no bolso, recostado com desleixo, lançou um olhar de soslaio para Pedro Soares.

— Fala demais, pensa de menos. Se a família Soares falisse, pra ele seria só mais uma oportunidade de se envolver em confusão.

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