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Zoé Santos:A Fênix de Cidade R romance Capítulo 52

— Pai! — exclamou Rubens Santos, aflito.

O Sr. José lançou um olhar a Talita Santos.

— Talita, sei que você se preocupa com sua irmã. Pode subir para o quarto e estudar um pouco — disse ele, sereno.

Talita Santos assentiu docilmente, pegou a mochila e subiu as escadas.

Os olhos do Sr. José se tornaram profundos e graves. Ele pegou o celular e ligou para Zoé Santos.

Zoé Santos acabava de sair do táxi.

Ao redor do Bairro Oculto, não havia nada além de terrenos baldios, cortiços e alguns prédios abandonados.

O ambiente era sombrio e decadente.

O motorista abaixou o vidro da janela e perguntou:

— Moça, quer que eu espere por você? Aqui é meio deserto, difícil conseguir outro carro depois.

Em aplicativos de transporte, era provável que ninguém aceitasse a corrida.

— Se não for incômodo, agradeço muito, senhor — respondeu Zoé Santos, educada, mas mantendo certa distância.

Nesse instante, o celular dela tocou. Era o Sr. José.

— Zoé, por que ainda não voltou para casa? O jantar já está pronto.

A voz do avô era paciente e suave, como sempre.

Zoé Santos colocou o fone de ouvido preto, a voz fria e controlada:

— Vô, tenho uma coisa para resolver. Acho que... — ela olhou o relógio de pulso, metálico e escuro — volto às dez. Não precisa me esperar para jantar.

— Vou esperar você chegar. Quero conversar sobre a festa de 18 anos sua e da Talita, semana que vem. É uma data importante para você, e eu gostaria de preparar algo especial — disse ele, com uma ponta de sorriso na voz.

Em famílias tradicionais, festas assim giravam em torno de prestígio e comparações.

Zoé Santos não tinha muito interesse, mas, já que o avô fazia questão, ela não se opôs:

— Tudo bem. Assim que terminar, volto pra casa.

Patrícia Lacerda, vendo o tom amável do velho, não conseguiu disfarçar o constrangimento, contendo-se para não revirar os olhos.

Não entendia o que o Sr. José via em Zoé Santos, sendo tão paciente com uma neta que só dava desgosto e envergonhava o sobrenome Santos por onde passava.

Rubens Santos já não se aguentava mais:

— Pai, o senhor sempre defendeu uma educação rigorosa, com disciplina até dura, se necessário. Agora acha que essa política de afago vai fazer a Zoé reconhecer os próprios erros?

O Sr. José largou o celular e respondeu, a voz serena:

A camisa de seda preta estava com as mangas dobradas, revelando antebraços pálidos e definidos, apoiados de maneira despretensiosa no balcão.

O cinto de couro escuro, caro, destacava a cintura esguia.

Era o retrato da sofisticação despreocupada.

Zoé Santos arqueou levemente as sobrancelhas e se aproximou:

— Boa noite, vim buscar meu remédio.

Henrique Farias se inclinou para pegar a caixa, abriu um pequeno baú de madeira e empurrou em sua direção, a voz grave e levemente preguiçosa:

— Hoje você chegou cedo.

Zoé não respondeu, como de costume, e começou a conferir cada caixa.

Quando pegava uma, Henrique prontamente abria a próxima, facilitando para ela.

Pedro Soares, observando tudo do fundo da farmácia, ficou boquiaberto.

Agora ele entendia o motivo de Henrique estar “acampando” ali ultimamente.

No fim das contas, estava em plena temporada de acasalamento.

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