— O que houve, Talita? — perguntou Thiago Santos, olhando para ela, percebendo de repente que parecia faltar alguém em casa.
Ele se virou para o motorista:
— Não buscou a Zoé junto com os outros?
O motorista respondeu, visivelmente nervoso:
— Sr. Thiago, a Srta. Zoé saiu da escola e pegou um táxi direto. Não faço ideia de para onde ela foi...
Assim que terminou de falar, todos ficaram imóveis, voltando-se para ver a expressão do Sr. José.
O rosto envelhecido, mas ainda cheio de vigor, não demonstrava emoção alguma.
Patrícia Lacerda, que nunca simpatizara com Zoé Santos, riu ironicamente, sem se preocupar em esconder o desprezo:
— Pai, olhe só, vê se o senhor consegue controlar ela.
Talita Santos franziu as sobrancelhas delicadas, mordeu levemente o lábio e, hesitante, começou a explicar:
— Hoje no almoço, a Zoé brigou com um aluno do Lumiar.
O semblante de Rubens Santos escureceu imediatamente.
Logo no primeiro dia de aula e já arrumando confusão.
Thiago Santos lançou um olhar para o patriarca, mas não se apressou em apontar culpados. Perguntou com calma:
— O que aconteceu, alguém tentou intimidar a Zoé?
Talita Santos balançou a cabeça:
— Não sei exatamente. Quando acordei da sesta, todos os posts no fórum já tinham sido apagados. Ouvi de colegas que parece que a Zoé foi até uma lan house, o outro aluno bloqueou sua passagem, e então ela bateu nele.
— O quê?! — Rubens Santos exclamou, incrédulo e furioso. — Só porque alguém bloqueou o caminho, já partiu pra briga? Ela pensa que é uma dessas desordeiras de rua?!
Thiago Santos franziu ligeiramente o cenho, largou o café, e perguntou, com voz serena, olhando para Talita:
— Isso foi grave? Como resolveram no final?
A direção da escola não telefonara para a família Santos.
Thiago Santos supôs que, por consideração a Talita, a direção preferiu não dar maiores proporções ao caso.
— Acho que não foi grave — disse Talita. — A Zoé é boa de briga, Bento Passos parece que até gostou dela. Ouvi dizer que ficaram amigos. Como o Bento Passos protegeu, ninguém quis levar adiante.
Os rostos de todos assumiram expressões de difícil leitura.
O rosto do velho já não estava mais sereno. Ele esfregava o topo de sua bengala de madeira, sem dizer uma palavra.
Talita Santos apertou os lábios, falando com sinceridade:
— Vovô, a Zoé já entrou em Cidade H. Acho que devíamos tentar encaminhá-la para algo positivo, incentivá-la a estudar, a se aperfeiçoar. Não podemos...
Ela conteve-se a tempo, claramente preocupada com o futuro de Zoé, mas sem coragem de dizer nada mais duro.
Depois de uma breve pausa, continuou:
— Embora o Reitor Roberto tenha aceitado a Zoé em Cidade H por minha causa, não sei até quando minha influência pode protegê-la. Se ela for punida ou expulsa pela escola, temo que eu mesma possa acabar prejudicando minha relação com o Reitor Roberto.
Ao ouvir isso, todos ficaram ainda mais sérios.
Zoé Santos agir de forma irresponsável já era motivo suficiente para envergonhar a família Santos.
Mas se ela criasse problemas e ofendesse o Reitor Roberto, poderia comprometer o futuro da família.
Além disso, prejudicaria a boa impressão que o Reitor Roberto tinha de Talita.
Diante disso, Patrícia Lacerda perdeu a paciência e falou com dureza:
— Antes da Talita, nenhum jovem das famílias tradicionais de Cidade R teve oportunidade de se aproximar do Reitor Roberto. Talita conseguiu isso com muito esforço. Vocês realmente vão deixar Zoé Santos colocar tudo a perder?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...