Zoé Santos não ligava para a turma; Roberto Pereira pensou durante todo o caminho de volta à escola.
Para ela, apenas o melhor seria suficiente.
Júlia Araújo não era apenas coordenadora do terceiro ano, mas também a professora responsável pela melhor turma do último ano do ensino médio, a Turma 1 do Terceirão.
Ao ouvir o nome “Zoé Santos”, o sorriso de Júlia Araújo congelou repentinamente nos lábios.
— Diretor, essa Zoé Santos de quem o senhor está falando é aquela filha recém-chegada da família Santos?
Ao perceber a mudança no semblante dela, Roberto Pereira manteve o rosto impassível e respondeu apenas com um leve aceno.
Recostou-se na cadeira, aguardando o desenrolar da conversa.
Júlia Araújo sorriu de leve, mas sua voz tornou-se fria; balançou a cabeça e disse:
— Diretor, essa aluna eu não posso aceitar.
A expressão de Roberto Pereira permaneceu indecifrável; seu olhar ficou mais profundo ao encará-la.
— Diretora Júlia, a Zoé Santos...
Ele fez uma pausa, ponderando as palavras:
— Ela tem potencial. Quero confiar essa aluna a você porque acredito no seu compromisso com cada estudante...
— Diretor, não precisa me elogiar dessa forma — interrompeu Júlia Araújo, sem esconder o desdém e a contrariedade em sua voz.
Ao se dar conta da posição de Roberto Pereira, ela conteve um pouco o tom, e falou de modo mais formal:
— Diretor, os melhores alunos da escola estão na Turma 1. Eles são essenciais para nossa taxa de aprovação e para o prestígio da escola. O senhor não teme que uma maçã podre estrague todo o cesto?
O olhar de Roberto Pereira esfriou. Ele sabia muito bem a quem ela se referia com a expressão “maçã podre”.
— O senhor sabe quem são os pais desses alunos da Turma 1 — continuou Júlia Araújo. — Eles jamais aceitariam que alguém de tão baixo rendimento comprometesse o ambiente de estudo de seus filhos. O senhor...
— Diretora Júlia, não há motivo para falar assim de uma jovem — cortou Roberto Pereira, sua voz gélida e o olhar visivelmente contrariado.
— Tudo bem, se o senhor não gosta de ouvir, não digo mais nada — respondeu Júlia Araújo, sorriu com autossuficiência e manteve a postura firme: — Mas não vou aceitar Zoé Santos na Turma 1.
Todos os anos, ela era destaque nas premiações estaduais e, com seu currículo, estava apta a concorrer ao “Prêmio de Mérito Docente”.
O Prêmio de Mérito Docente era a maior honraria para professores, equivalente ao prêmio de reconhecimento vitalício, concedido a apenas dez docentes em todo o país a cada três anos.
Na prática, significava que todos os professores de dois estados disputavam uma única vaga.
Mas, contanto que Zoé Santos não fosse para a Turma 1, aquilo não era mais problema seu.
Um sorriso de satisfação apareceu em seus lábios ao descer as escadas.
...
Roberto Pereira entrou na sala do grupo de matemática do terceiro ano.
Havia poucas professoras de matemática, menos ainda entre aquelas que davam aula para o último ano.
— Veja só, como você errou um exercício tão básico?
A divisória da mesa era alta; não se podia ver o rosto de Serena Almeida, apenas escutar sua voz, suave e paciente.
O som da caneta deslizando sobre o papel se misturava à explicação:
— Pronto, assim você chega ao resultado. No vestibular, setenta por cento da prova é de questões básicas. Agora, na primeira revisão, acompanhe a professora, preste atenção na aula, depois você consegue vaga na universidade com facilidade.
O rapaz alto, encostado na divisória, apoiava o braço e se inclinava de modo desleixado.
— Conseguir vaga com facilidade? — O canto da boca do estudante se retorceu. — Profa. Serena, como alguém pode ser tão confiante assim!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...