—Como assim não pode?! Vocês são como o sol das oito ou nove da manhã, tão cheios de energia... — Serena Almeida olhou para ele com aquele jeito descontraído, cutucou-o com a caneta e assumiu uma expressão séria: — Fique em posição, por favor.
O rapaz sorriu e se endireitou, ainda preguiçoso.
— Com uma mente jovem dessas, se não usar para o caminho certo, como vai ser? Você tem que estudar de verdade. O que, afinal, é difícil para você?
Serena Almeida falava com um tom suave, mas não deixava de ser insistente. Devolveu a prova para ele:
— Da última vez, peguei você brigando, mas não denunciei, nem pedi que fizesse um relatório. Você me deve uma. Escreva três vezes as respostas certas das questões básicas que errou na prova, me entregue amanhã cedo e depois me explique tudo. Assim, ficamos quites.
— Ah... — O rapaz fez uma careta de sofrimento.
— Que “ah” o quê, Erick Rocha? Vou te lembrar do nosso combinado... — Serena Almeida recostou-se na cadeira, mas de repente percebeu alguém parado na porta. Levantou-se rapidamente: — Diretor.
A maioria dos alunos, desde que entram até se formarem, nem sabe como é o diretor da escola.
Erick Rocha, curioso, virou o rosto para ver.
Não era careca, nem tinha barriga de chope. Pelo contrário, era um senhor alto e até bem-apessoado.
— Professora Serena, preciso conversar com você sobre um assunto. — Roberto Pereira falou com gentileza.
Erick Rocha arqueou as sobrancelhas devagar.
Que assunto tão importante faria o diretor vir pessoalmente à sala de uma simples professora?
E ainda vinha “conversar”?
Desde quando o diretor precisava discutir algo com uma professora?
Erick Rocha sentiu cheiro de fofoca e preparou-se para ouvir.
— Erick Rocha, volte para a sala. — Serena Almeida ordenou.
Erick Rocha saiu desapontado, deu um aceno preguiçoso e, ao fechar a porta, colou imediatamente o ouvido nela.
Serena Almeida serviu um copo de água morna e colocou diante de Roberto Pereira, depois ficou parada, esperando.
— Professora Serena, pode se sentar.
A voz de Roberto Pereira era tranquila, com um leve sorriso no rosto.
Ainda assim, a autoridade inerente a ele deixou Serena Almeida bastante nervosa.
Ela se sentou, rígida.
Roberto Pereira passou-lhe um documento gentilmente:
— Tenho uma aluna que gostaria de transferir para sua turma. Gostaria de saber se você aceita.
Serena Almeida expôs seu ponto de vista para Roberto Pereira.
Do lado de fora, Erick Rocha estava pasmo.
Não era questão de “quantas” ocorrências. Era “essas” ocorrências?!
Quantas seriam? E ainda era uma garota?
Na escola, quase todas as punições se deviam a brigas.
Que tipo de “rainha do pedaço” era essa, com um histórico tão feroz?
No escritório, Roberto Pereira sorriu ainda mais ao ouvir Serena Almeida falar sem preconceitos sobre Zoé Santos.
Antes de vir, ele havia mandado pesquisar sobre Serena Almeida.
Aquela jovem professora, descrita nos relatórios como incansável, era realmente fiel à sua fama.
Juventude é isso: entusiasmo, bondade e seriedade.
E, como ele esperava, as palavras seguintes de Serena Almeida aumentaram ainda mais sua admiração.
— Sobre as notas — Serena Almeida ergueu o olhar, falando com doçura e convicção, sorrindo: — O papel do professor é ensinar, ajudar os alunos a superar dificuldades e melhorar. Estamos só no início do último ano, ainda há tempo para tudo. Farei o possível para que Zoé Santos consiga acompanhar o ritmo da revisão e, em junho do ano que vem, espero ajudá-la a entrar em uma boa universidade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...