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Zoé Santos:A Fênix de Cidade R romance Capítulo 21

Roberto Pereira parecia subitamente distante, como se algo lhe viesse à mente de forma inesperada. — Só achei... curioso você fazer esse pedido.

Zoé Santos tamborilava os dedos no copo de vidro, que ainda exalava uma névoa tênue. Seu jeito era relaxado, quase desafiador. — Reitor Roberto, dezessete, dezoito anos... é idade de ir pra... escola, entende?

O rosto dela mantinha uma seriedade quase solene, mas o conteúdo das palavras deixava qualquer um sem resposta.

— ...

Roberto Pereira ficou em silêncio, com a estranha impressão de que ela queria dizer: dezessete, dezoito... é idade de arrumar confusão.

Bem, ela realmente sabia como ser direta.

Ainda assim, Zoé Santos merecia viver um pouco como qualquer jovem normal.

Além do mais, considerando o estado de saúde de Zoé Santos... O melhor seria cuidar da saúde primeiro.

O ambiente da escola era ideal para o descanso dela. Um lugar agitado, cheio de gente, funcionava até melhor para o sono dela do que o caos sujo e barulhento de uma lan house qualquer.

— Em que turma você quer ficar? — perguntou Roberto Pereira, enquanto refletia consigo mesmo.

Zoé Santos não se importava, espetou um pedaço de peixe com o garfo. — Tanto faz.

O velho queria que ela entrasse na Cidade H, então qualquer turma servia.

...

No segundo andar, em uma sala reservada.

Leandro Drummond esticou as longas pernas e se acomodou no sofá, batendo a cinza do cigarro. — Pedro Soares, quando é que aquela farmácia furada tua vai fechar?

Pedro Soares lançou-lhe um olhar afiado.

Leandro Drummond riu, sempre gostando de ver o circo pegar fogo. — Foi seu pai que pediu pra eu perguntar.

Pedro Soares resmungou, com desdém. — Meu pai não entende nada de cuidar dos outros.

Leandro Drummond só cumprira uma tarefa. Logo voltou-se para Henrique Farias. — Henrique, aquele serviço lá, o pessoal do meu lado não dá conta. Empresta o Daniel Farias pra mim.

Daniel Farias ficou calado, lançando um olhar para o homem ao lado, aguardando instruções.

Henrique Farias segurava a taça de vinho, os dedos longos e elegantes.

Seus olhos, frios e levemente caídos, pareciam atentos a algum ponto do andar de baixo.

Daniel Farias reparou que o chefe mantinha aquela postura já fazia uns cinco minutos.

Poucos temas ou pessoas conseguiam prender a atenção do Sr. Henrique por tanto tempo.

— O que está olhando, Henrique? — Leandro Drummond inclinou a cabeça, seguindo o olhar do outro. Então enxergou a mesa no canto.

— Roberto Pereira? — Leandro Drummond arqueou as sobrancelhas.

— Que receita? — Leandro Drummond estava perdido, sem entender do que falavam.

Pedro Soares contou o que havia acontecido no Bairro Oculto para Leandro Drummond. — O que vocês acham, quem é essa garota afinal?

Afinal, era Roberto Pereira!

Henrique Farias finalmente desviou o olhar, fitando o gelo na taça.

A luz fria refletia em seus olhos negros e aguçados, como se algo brilhasse por um instante.

Era como se, em um lago sempre calmo e gelado, surgisse uma leve ondulação.

O sorriso discreto nos lábios trazia um ar de interesse.

...

Colégio Cidade H.

Júlia Araújo abriu a porta da sala do diretor, entrando com um sorriso. — Diretor, o senhor me chamou?

Roberto Pereira assentiu. — Amanhã de manhã, uma aluna chamada Zoé Santos vai se transferir para sua turma. Prepare o uniforme e os livros para ela. É uma moça, tem um metro e setenta e três de altura...

Roberto Pereira passou para Júlia algumas informações pessoais de Zoé Santos.

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