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Zoé Santos:A Fênix de Cidade R romance Capítulo 20

Zoé Santos mantinha as pernas longas confortavelmente abertas, uma delas estendida para fora da mesa.

Sua postura, despreocupada e arrogante, trazia um quê de audácia, quase como a de alguém acostumada a impor respeito.

De relance, era impossível desviar o olhar: sua beleza era daquelas que capturavam a atenção de todos ao redor.

Mas, logo depois do impacto visual, vinha a aura: fria, opressora, envolta em um distanciamento que afastava quem tentasse se aproximar.

A jovem apoiava o pulso no tampo da mesa, os dedos longos tamborilando distraidamente na madeira. — Sessenta anos, é a idade certa pra correr atrás do que quer. Para de pensar em depender dos outros.

Roberto Pereira não conseguiu evitar um leve espasmo no canto da boca.

Quando Zoé Santos tinha só treze anos, visitou o Instituto de Matemática. Dizem que, enquanto esperava alguém, resolveu sem esforço um problema que havia paralisado o laboratório de elite por uma semana inteira.

Vale lembrar: todos os pesquisadores daquele laboratório, no mínimo, tinham mestrado pela Universidade da Cidade Capital.

O feito de Zoé virou imediatamente assunto fervoroso nos grupos do instituto.

Ali, reuniam-se as mentes matemáticas mais brilhantes do país. E, de repente, todos tiveram que encarar o fato de que estavam atrás de uma criança...

O Prof. Sérgio, ao saber do ocorrido, levou Zoé para fazer um teste de QI.

O resultado? Duzentos e trinta e cinco.

Fez calar os matemáticos premiados, que já colecionavam títulos.

Especialmente porque...

O QI médio de um cachorro é por volta de 60.

De uma pessoa comum, cerca de 100.

De um gênio, por volta de 140.

Um gênio olha para uma pessoa comum como uma pessoa olha para um cachorro.

Zoé Santos, ao olhar para um gênio, era como se observasse um... porco.

Jamais passou pela cabeça daqueles gênios que, algum dia, seriam comparados a “porcos”.

Aos treze anos, Zoé Santos já era um fenômeno lendário no circuito matemático da Cidade Capital.

Mas só apareceu no instituto aquela única vez.

Com o passar dos anos, sua história só foi ficando mais mítica.

Uma garota desconhecida, com um QI absurdo.

O renomado professor Sérgio Viana, uma das maiores autoridades em matemática da Cidade Capital, pensava nela todos os dias, tentando convencê-la a ser sua pupila—quase lhe faltava saliva de tanto insistir.

Zoé Santos nunca aceitou. E ainda reclamava que ele era irritante.

Zoé não gostava que fossem procurá-la em Aldeia N, além de estar sempre com paradeiro incerto.

Dessa vez, Prof. Sérgio só não foi a Cidade R encontrar Zoé porque, realmente, não pôde se ausentar.

Zoé deu uma mordida na costela. A crosta era crocante, adocicada, uma delícia.

Comeu duas, tomou um gole grande de refrigerante gelado, só então ergueu o olhar vagarosamente.

Com o garfo e a faca ainda na mão, falou preguiçosamente: — Cuida pra mim da transferência pra o Colégio Estadual Cidade H.

Roberto jamais teria imaginado que se tratava disso. Ficou chocado. — Vai estudar? No último ano?

Zoé arqueou as sobrancelhas, depois soltou um sorriso, meio debochada, meio provocativa: — Dizem que teu território é difícil de entrar.

O Colégio Cidade H, agora, estava sob a direção de Roberto Pereira.

Ao ouvir aquilo, Roberto quase mordeu a própria língua.

Tinha pelo menos três décadas a mais que Zoé, mas jamais ousava se portar como um velho conhecido.

Afinal, ela já tinha salvo a vida de toda a família dele.

No máximo, considerava-se um amigo de gerações... e, ainda assim, achava-se privilegiado por isso.

Zoé, ao contrário, agia com naturalidade, fazia piada, até tirava sarro dele.

Roberto pigarreou, um pouco sem jeito, e sorriu: — Ora, mas pra você, isso não é obstáculo.

Pra falar a verdade, não só o Colégio Cidade H; se quisesse, Zoé entrava até no Colégio da Cidade Capital sem dificuldade.

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