Ninguém da família Santos levava a sério as palavras de Zoé Santos.
Quem se manifestou foi Talita Santos, que apertou os lábios e falou:
— Vovô, eu gostaria de conversar novamente com a Diretora Júlia, para ver se consigo que a Zoé entre no Colégio Central. Assim eu poderia cuidar dela e ajudá-la a melhorar seu desempenho.
A Diretora Júlia era responsável pelo terceiro ano e tinha poder para aprovar transferências de alunos.
Talita Santos sempre fora obediente e de bom coração.
Que ela quisesse tentar de novo, não surpreendia ninguém.
O Sr. José concordou com um aceno.
Depois do retorno de Talita Santos do acampamento de verão da Universidade da Cidade Capital, suas palavras tinham ainda mais peso.
Talvez, houvesse uma chance.
Talita pediu a Thiago Santos os documentos de Zoé Santos e enviou o material para a Diretora Júlia, responsável pelo terceiro ano.
Em seguida, discou seu número:
— Diretora Júlia, boa tarde. Aqui é a Talita Santos.
— Talita! — respondeu a diretora, com evidente carinho pela boa aluna. — Ouvi dizer que você se saiu muito bem no acampamento de matemática, até ganhou um prêmio. Parabéns!
— Obrigada, professora — respondeu Talita, com voz suave.
A Diretora Júlia sorriu e foi direta:
— Imagino que esteja me ligando por causa daquela sua irmã, certo?
Sentada em seu escritório, abriu o arquivo que Talita lhe enviara.
A família Santos mostrava evidente boa vontade, querendo encaixar a filha recém-encontrada no Colégio Central.
Ela sabia do caso desde cedo, ainda que não fosse responsável pelo assunto.
— Sim — confirmou Talita, um pouco tímida. — Professora, minha irmã não está indo bem nas notas agora, mas eu prometo que vou fazer tudo para ajudá-la a melhorar. Espero que a senhora permita que ela estude conosco.
A Diretora Júlia analisou o arquivo de Zoé Santos e sentiu um peso no peito.
Em todos os seus anos de carreira, nunca tinha visto um histórico escolar tão difícil de defender.
Não era só questão de notas baixas...
Agora entendia por que a secretaria havia recusado tão rapidamente.
— Basta um grão ruim para estragar toda a panela de canja... — pensou, resignada.
Procurou ser delicada ao recusar:
Era só aguentar.
Depois disso, Zoé seria enviada para o exterior e ficaria longe do olhar e das preocupações da família Santos.
Só esperava que, durante esse ano, Zoé não arranjasse mais problemas.
...
O garçom abriu a porta, e Zoé Santos entrou no restaurante.
Numa mesa de canto, um homem de mais de cinquenta anos, cabelos grisalhos, levantou-se.
Era Roberto Pereira — o reitor recém-chegado ao Colégio Estadual da Cidade H, mencionado por Rubens Santos.
Dois anos tinham se passado, mas Roberto Pereira reconheceu Zoé imediatamente.
Com o celular na mão, observou a jovem atravessar o salão até a mesa do canto e disse ao telefone:
— Já a vi... Você já foi recusado tantas vezes, por que ainda insiste? Veja se escolhe algum aluno do acampamento de verão, dê um jeito de superar as dificuldades. Preciso desligar.
Zoé largou a bolsa na cadeira ao lado, sentou-se preguiçosamente e se recostou.
Roberto Pereira desligou o telefone e pediu que o garçom trouxesse os pratos.
— O professor Sérgio me ligou dizendo que os alunos deste acampamento de matemática estão abaixo do nível dos anos anteriores. Os que passaram na primeira seleção são só os menos piores... A qualidade desta vez... — Roberto balançou a cabeça e então olhou para ela. — E aí, voltaram a pensar em você.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...